ISSN 1678-0701
Número 59, Ano XV.
Março-Maio/2017.
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Entrevistas

10/03/2017
ENTREVISTA COM DIEGO PASINI PARA A 59ª EDIÇÃO DA REVISTA VIRTUAL EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO  
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ENTREVISTA COM DIEGO PASINI PARA A 59ª EDIÇÃO DA REVISTA VIRTUAL EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO

 

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Diego Pasini*

 Apresentação: O entrevistado desta edição é Diego Pasini. Diego é o autor da INTI Sonoro. Também é Educador musical em escolas infantis, onde eu o conheci e fiquei encantada com o trabalho que desenvolve. Estuda Bacharelado em Musicoterapia e é com ele que vamos saber mais detalhes desta trajetória.

Bere – Diego, ficamos muito felizes por podermos compartilhar algumas das tuas experiências através desta entrevista, muito obrigada! Bem, para começo de conversa, quando começou o seu interesse pela música?

Diego – É uma honra compartilhar um pedaço de minha trajetória contigo e todos os leitores desta revista virtual. Eu me recordo de cantar músicas com 5 anos de idade. A família da minha mãe é muito musical, então, tenho um tio que ia à minha casa e levava um microfone para cantarmos junto com a música no rádio, eu amava aqueles encontros. Tempos depois, com uns 8 anos ganhei um teclado pequeno, onde comecei a tirar de ouvido melodias de músicas infantis. Com 11 anos comecei a aprender a tocar violão e depois disso nunca mais consegui parar de tocar instrumentos, a música se tornou uma prática diária.

Bere – E para você, qual é a importância da Música na educação?

Diego – A Música pode ser usada com objetivos diversos. Na Educação é possível usar a música pra desenvolver o raciocínio lógico, trabalhar a coordenação motora e o corpo como um todo, fazer a integração de conteúdos através de análise das letras das músicas, compreender melhor a cultura de um determinado povo, promover momentos de relaxamento, trabalhar a sensibilidade e o convívio social, entre vários outros objetivos.

Bere – Como as crianças pequenas reagem em suas aulas, o que mais lhe chama a atenção?

Diego – Na verdade não vejo como uma aula, pois não estou ali pra ensiná-los. A meu ver, apenas me coloco a serviço deles. Todos nós temos a música dentro de nosso Ser, então procuro servir de ponte pra que eles acessem essa musicalidade, incentivando e oferecendo um ambiente seguro e leve para se aventurarem musicalmente. É uma troca, compartilho o que aprendi e eles compartilham coisas maravilhosas também, além de muito afeto! E o que mais me chama atenção é o quanto eles se identificam com a música, e a forma mágica que ela muda a energia deles, pois vejo que se entregam e vivem intensamente o agora e curtem cada momento.

Bere – Uma das coisas que mais me encantou no seu trabalho foi o fato de você elaborar instrumentos com material que seria descartado. Depois descobri a INTI Sonoro, que incentiva a criação de instrumentos a partir de materiais de reaproveitamento. O que te inspirou?

Diego – Há uns 3 anos conheci um grupo mineiro chamado UAKTI e fiquei encantado com as sonoridades que eles produziam. Comecei a pesquisar os instrumentos que usavam em seus arranjos e então fiquei com muita vontade de fazer instrumentos.

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Bere – Fale-nos da INTI Sonoro e quais as ações que vocês desenvolvem:

Diego – A INTI Sonoro surgiu da vontade de compartilhar essa ideia de que a música está em toda a parte e é para todos, não apenas pra quem estudou música, nem somente para quem tem dinheiro pra comprar um instrumento musical na loja. Então, a INTI Sonoro é uma ideia, materializada em uma Micro Empresa, que oferece oficinas onde se compartilha essa ideia, associada a conceitos e atividades de Musicoterapia. Também se oferece para compra os instrumentos da INTI, que são produzidos com material de reaproveitamento. Estes instrumentos são pensados e projetados para qualquer pessoa “sair tocando”, então, nas oficinas que facilito é bonito ver a reação das pessoas em estar fazendo música de forma fluida e bela, sem nunca ter tocado um instrumento antes. Muitas pessoas se motivam para começar a tocar um instrumento depois destas oficinas, pois, de alguma forma, recebem e identificam essa mensagem. Eu particularmente acho que este é um caminho sem volta, pois quando nos colocamos em contato com nossa musicalidade, sentimos os benefícios que isso nos trás e não se pode voltar como era antes. Contudo, além de todas estas ações em prol da Saúde e da musicalidade de cada um, a INTI ainda usa seus instrumentos para falar de Meio Ambiente e inspirar as pessoas a reutilizar materiais.

Bere – Na verdade trata-se de um trabalho de educação ambiental. As pessoas têm aceitado bem as propostas? Qual é a reação das crianças e das pessoas que frequentam a INTI Sonoro?

Diego – As pessoas ficam muito surpresas ao perceber o som de uma marimba feita com teclas de azulejo ou vidro, ou de uma flauta feita com canos de PVC. Recebo um retorno bem positivo das crianças também, pois muitas resolvem, por conta própria, construir algum instrumento ou brinquedo usando materiais que antes eram jogados no lixo. É muito gratificante pra mim.

Bere –  E o nome INTI, de onde veio a inspiração?

Diego – INTI, na mitologia Inca, é o Deus Sol. Eu me identifico muito com essa cultura e este símbolo está muito presente em minha vida. Quando pensei em criar a INTI, esse nome veio com muita naturalidade.

Bere –  Qual é a importância da música na vida das pessoas?

Diego – A Música é uma das manifestações artísticas presente em praticamente todas as culturas. Eu a vejo como uma metáfora do comportamento humano, pois ela traduz muito do que somos, enquanto sociedade e enquanto Ser individual. Também percebo que a Música é uma ponte que nos leva até nós mesmos. Uma linguagem não verbal que nos permite expressar sentimentos diversos no fazer musical e que pode, também, nos estimular a sentir coisas que nenhuma palavra é capaz de explicar, algo muito profundo mesmo. O Ritmo está presente desde que começamos a existir na barriga de nossa mãe, através do pulso de seu coração. Desde bebê dormimos ao som das melodias das canções de ninar. Quando adultos, seguimos a escutar músicas, de forma mais seletiva, pois aprendemos a gostar de alguns gêneros e a evitar outros. Muitas pessoas usam a música como passa tempo ou pano de fundo, não acho isso errado, mas percebo que ela é muito mais do que isso, basta estarmos abertos pra ela.

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Bere – Fale sobre instrumentos feitos com materiais reciclados, como é o processo de confecção, uma vez que estes devem ter a sonoridade afinada. Descreva algumas experiências.

Diego – Eu gosto de brincar dizendo que fazer estes instrumentos é uma terapia, pois se precisa de muito foco, um trabalho minucioso e muita paciência. No caso das teclas de azulejo e de vidro, é preciso cortar e quebrar “lascas”, até que a tecla fique afinada na nota desejada. No caso das flautas é preciso fazer os furos pequenos e ir abrindo até que se chegue ao som desejado também.

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Bere – Para quem quiser conhecer mais o seu trabalho, disponibilize os links que podem ser acessados e seus contatos:

 

Diego –

Meu canal no youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCeQkpqFxr7HX1tSsSaRoRzA

Página INTI Sonoro no facebook:

https://www.facebook.com/INTI-Sonoro-691267850960373/?ref=aymt_homepage_panel

Email e telefone:

intisonoro@outlook.com  -  51 998876346

 

Bere – Vi na página do FaceBook que vocês participam de cursos de formação, como por exemplo, o Curso de Formação Ayni, na Cidade Escola Ayni. Como foi esta experiência?

Diego – Estes dias que passei na Ayni foram de muita inspiração. A filosofia da Escola é incrível, faz muito sentido. O grupo que era de umas 50 pessoas deu um retorno muito positivo ao final das oficinas da INTI. Muitos compraram instrumentos musicais, os CDs foram todos vendidos e alguns contatos foram feitos visando oficinas futuras em outros estados do Brasil. As pessoas se motivaram mesmo, e eu também fui tocado por essa motivação. Mais uma linda troca!

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Bere – Como as crianças interagem com os instrumentos feitos com materiais reciclados?

Diego – Com espanto, primeiramente, por ser algo novo e diferente. Depois começam a imaginar e verbalizar coisas que podem ser feitas com esses materiais. Logo são envolvidos pelas sonoridades e pela música feita em grupo. Cantam e tocam de olhos fechados, muitas vezes. Algumas cenas sei que não esquecerei mais!

Bere – Qual é, para você, a relação da Música com Educação Ambiental?

Diego – A música é orgânica e tem início, meio e fim. Assim como tudo na Natureza, de forma cíclica. Compartilhar essa ideia dos instrumentos feitos com materiais de reaproveitamento é pegar um material que estava prestes a terminar seu ciclo e colocá-lo novamente no início de um ciclo. Se, de alguma forma, essa metáfora tocar as pessoas, o objetivo da INTI foi alcançado, pois a Vida nos convida a mudar sempre, e quanto mais aprendemos a nos reinventar, mais as coisas fluem em nossa Vida.

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Bere – Como você se sente realizando este trabalho?

Diego – Não tem nenhuma palavra que eu possa escrever aqui que expresse meu sentimento Bere. Tentando traduzir, é uma satisfação, um estado de plenitude, sensação de estar no lugar certo, fazendo a coisa certa. E também é uma responsabilidade muito bela que honro e sou grato!

Bere – Tem algo importante que não perguntei e você queira destacar? 

Diego – Quero dizer que um dos meus maiores sonhos é realizar um projeto inspirador que me motiva muito, uma Orquestra de Instrumentos feitos com material de reaproveitamento, com crianças e jovens em vulnerabilidade social. Existe um projeto semelhante acontecendo, a Orquestra de Instrumentos recicláveis de Cateura no Paraguai. Tenho o projeto desenhado em meus pensamentos, preciso apenas de alguém que tenha os recursos financeiros para tornar este sonho realidade. Se alguém quiser unir forças e fazer parte deste projeto, faça contato com a INTI.

Bere – Deixa uma mensagem para nossos leitores e nossas leitoras, pode ser uma frase, um pensamento, uma música...

Diego – Quero agradecer a atenção e aproveitar esse espaço para fazer o que faço em meu trabalho. Convido a todos que permitam reaproximarem-se da Música. Há muitos motivos diferentes pelos quais nos afastamos dela, mas sempre é tempo de voltar a fazer contato. Se sentirem esse chamado, entrem em contato com a INTI Sonoro, estou à disposição para levar esses trabalhos e essa mensagem aonde for! Da mesma forma, peço ajuda para espalhar esta mensagem por toda parte, me sentirei muito feliz vendo vocês curtirem a página da INTI no Facebook e deixando um recado, e também assistindo aos vídeos em meu canal e compartilhando. Gratidão!

Bere – Diego, o seu trabalho é uma verdadeira inspiração! Eu sempre gostei muito de música, mas a sua entrevista trouxe-me um novo olhar e certamente passarei a prestar mais atenção à musicalidade que me rodeia. Imagino que através desta entrevista mais pessoas terão esta sensação de encantamento pela Música, que você nos passa, e pelo que ela representa em nossa vida. Nós, da equipe da revista, agradecemos demais pela sua disponibilidade em compartilhar esse trabalho tão incrível, cheio de afeto e amorosidade. Parabéns e muito obrigada!

 

 

 

*Todas as fotografias foram enviadas pelo entrevistado.



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