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ISSN 1678-0701
Número 60, Ano XVI.
Junho/Agosto/2017.
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03/06/2017
HORTO BOTÂNICO DE BARCARENA/PA: ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIÊNCIAS NATURAIS  
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HORTO BOTÂNICO DE BARCARENA/PA: ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIÊNCIAS NATURAIS

 

Leidyanne Perna Rodrigues

Graduada em Ciências Naturais/UEPA, Rua Dom Pedro I, 3366, São José, fone: 80264245; email: Leidybio2010@hotmail.com

 Lucelle Ferreira da Silva

Graduada em Ciências Naturais/UEPA, Passagem Nova, 466, Algodoal.

fone: 9258179; email: lucellebio2010@hotmail

Maria Jaqueline Bailão Silva

Graduada em Ciências Naturais/UEPA, Travessa Higino Maués, 233, Algodoal. Fone: 83294095; email: jaquebio2010@hotmail.com

Priscyla Cristinny Santiago da Luz

Doutoranda em Educação em Ciências; Docente do Curso de Ciências Naturais da Universidade do Estado do Pará, fone: 9188278482; email: priscylaluz@gmail.com

 Ana Claúdia Caldeira Tavares Martins

Doutora em Botânica pelo Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro; Docente da pós-graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Estado do Pará, fone: 9182842285;email: anabotanica@ig.com.br

 

 

Resumo

 

O Horto Botânico da ALBRÁS, localizado no município de Barcarena/Pará é um local de produção de mudas nativas, dispondo de grande diversidade biológica, sendo também utilizado como espaço pedagógico para o desenvolvimento de ações em Educação Ambiental.  O Horto foi visitado por ocasião da disciplina Estágio Supervisionado I, momento em que ocorreu a participação no projeto "Albrás Mais Perto de Você". O objetivo desta experiência foi caracterizar e discutir as quatro estações do Horto Botânico, pelas quais os alunos passam durante a realização do projeto “Albrás Mais Perto de Você”. Neste trabalho, constatou-se que o Horto Botânico configura-se como um espaço não formal de suma importância para o desenvolvimento da Educação Ambiental e ensino de ciências, pois em cada estação de parada do projeto são utilizadas estratégias metodológicas interativas e construtivas sobre a questão ambiental, que proporcionam a aprendizagem interdisciplinar, contextualizada e reflexiva aos alunos.

 

Palavras-chaves: Ensino não formal. Educação ambiental. Aprendizagem

Abstract

 The Botanical Garden of ALBRÁS located in Barcarena/Pará was created to production of seedlings and to develop scientific research activities in this region. Has great biological diversity, being used as a teaching aid of space-related formation of scientific concepts focused on science and environment activities. This area was visited during the course Supervised Internship 1 the students take part of the project "Albrás Closer to You", which is being developed at this location. The objective of this experiment was to characterize the activities conducted at the Botanical Garden ALBRÁS that the claim as a space of non-formal education, and assess whether the activities performed in Project Albrás “Closer to You”, allow relate the contents of the environmental sciences discussions. For this work were characterized and discussed four seasons which students spend during the execution of the project. The proposed work led to the finding that the Botanical Garden is certainly a no-formal space development of activities aimed at improving interdisciplinary learning between Science and Environmental Education and the actions taken by project Albrás “closer to You” that allow methodological strategies to facilitated the process of teaching and learning of science and environment, interdisciplinary, contextualized and reflective manner.

Keywords: Non-formal education. Environment  education. Education learning

 

 

Introdução

              A empresa Alumínio Brasileiro S/A doravante (ALBRAS) é produtora de alumínio primário, fundada em 1978 e localizada em Barcarena. Trata-se de uma empresa brasileira que faz uso de recursos naturais da Amazônia em larga escala, sendo seu um de seus compromissos à conservação do meio ambiente, buscando por meio deles a integração com a comunidade local.

Esta empresa mineradora ao se instalar na região de Barcarena criou o Horto Botânico da ALBRAS fundado no ano de 1992. Atualmente, a instituição conta com uma área verde, destinada à produção de mudas de vegetais (esta produção tem por finalidade atender à população através da distribuição das mudas e também para suprir as necessidades da própria empresa de ornamentação, além disso, serve para atividades realizadas durante a Semana do Meio Ambiente).

A partir do projeto "Albras Mais Perto de Você" realizado no Horto Botânico, são realizadas atividades que visam trabalhar a Iniciação Científica, Educação Ambiental e a Conscientização da Comunidade de Vila dos Cabanos. A Educação Ambiental é utilizada como ferramenta para estimular a formação de valores e o exercício da cidadania que levam a mudança de atitudes e comportamento em relação ao meio ambiente. Este espaço também proporciona vivência aos futuros profissionais da educação (da Universidade do Estado do Pará) em um ambiente de educação não formal.  O termo “Espaço não Formal” tem sido utilizado atualmente por pesquisadores em educação e professores de diversas áreas do conhecimento, bem como por profissionais que trabalham com divulgação científica na descrição de lugares, diferentes da escola, onde é possível desenvolver atividades educativas (JACOBUCCI, 2008).

Por ocasião da disciplina Estágio Supervisionado I, o Horto Botânico da ALBRÁS foi visitado como espaço de educação não formal, por apresentar uma grande diversidade biológica que pode ser utilizada como ferramenta de auxílio para atividades que se relacionam aos conteúdos da escolarização formal. As atividades práticas escolares realizadas em espaços não formais ganham diferentes nomenclaturas que diversificam de acordo com a sua natureza, entretanto, têm em comum a sua execução em um ambiente não escolar. Incluem-se aí aulas de campo, aulas de educação ambiental, estudos do meio, aulas de campo, visitas externas, excursões, visitas orientadas e passeios (OLIVEIRA e GASTAL, 2009). De acordo com Loureiro (2003, 2006), falar em Educação Ambiental logo remete a um caráter transformador, devido esta ser uma área recente da educação que discute questões primordiais da sociedade atual, relacionada à qualidade de vida, ética ecológica, entre outras.

Este estudo torna-se de grande valia, pois a partir de uma análise crítica sobre a utilização deste espaço como potencial no processo educativo pode-se utilizá-lo de maneira satisfatória no processo de ensino e aprendizagem, seja como espaço extraclasse de atividades formais e/ou de práticas não formais na realização de formações efetivas em educação ambiental.     

O objetivo desta experiência foi caracterizar as atividades realizadas no Horto Botânico da ALBRÁS, que o afirmam como espaço de educação não formal, a partir das atividades de educação ambiental desenvolvidas.

 

Metodologia

Este estudo está embasado na abordagem qualitativa e apoiado na metodologia da pesquisa participante, que segundo Severino (2007) se caracteriza por realizar observações, compartilha a vivência dos sujeitos pesquisados, participando, de forma sistemática e permanente, ao longo do tempo da pesquisa e das atividades desenvolvidas.

Por meio da disciplina Estágio Supervisionado I - Vivências em ambientes não formais ocorreu o contato com o espaço do Horto Botânico, em que fomos inseridos como colaboradores no projeto “ALBRAS mais perto de você”.

Na execução do projeto participaram alunos da educação fundamental de escolas públicas municipais da cidade de Barcarena, Pará.

A ação pedagógica do projeto em questão aconteceu à partir da divisão do espaço do Horto Botânico em etapas, as quais foram denominadas no projeto de Estações, onde os discentes do curso de Ciências Naturais atuaram como colaboradores do roteiro pedagógico e como expositores.

A metodologia utilizada para a realização deste estudo foi a análise descritiva das Estações presente no Horto Botânico, avaliação dos potenciais educativos para realizações de atividades de ciências naturais e educação ambiental, em cada estação. Neste sentido, as quatro estações foram fotografadas, as práticas realizadas foram descritas e analisadas quanto ao teor pedagógico, e também foi avaliado a participação e desempenho cognitivo dos alunos após as atividades nas quatro estações.

Como forma de se analisar o potencial do Horto como espaço de educação não-formal, todas as atividades realizadas nas estações foram relacionadas com conteúdos da escolarização formal propostos pelos Parâmetros curriculares Nacionais do ensino fundamental para Ciências Naturais (Brasil 1996, 2001).

Para as discussões foram estruturados também quadros e gráficos, a fim de possibilitar maiores interpretações à luz dos referenciais teóricos levantados.

 

Análises e Discussão

Primeira estação

A Primeira Estação (Figuras 1 e 2), destaca elementos da natureza como, o sol, o ar, água e natureza. Os assuntos tratados nesta estação versam sobre ecossistemas, fatores bióticos e abióticos, utilização dos recursos naturais na economia, redução e cuidados com o lixo, poluição dos rios e igarapés e também sobre o consumo consciente da água. Percebeu-se que o conhecimento difundido, contribuiu para o entendimento sobre recursos naturais e sua utilidade na sociedade. Metodologias como observação do ambiente, diálogos e informações científicas e sociais a respeito dos temas abordados nesta seção permitiram a reflexão e, consequentemente, a possibilidade de mudanças positivas de comportamento e atitudes relacionadas à conservação do meio ambiente.

Durante a atividade desenvolvida foi possível perceber nos participantes a curiosidade e interesse em buscar mais informações acerca de temas como sustentabilidade, preservação e conservação do meio ambiente, atividades econômicas e o cuidado com a natureza. Assim entende-se que foi proporcionado o elo entre teoria e prática das experiências das vivências de muitos alunos com os tópicos abordados.

Para Gohn (2006), construir cidadãos éticos, ativos, participativos, com responsabilidade diante do outro e preocupados com o universal e não com particularismos, é retomar as utopias e priorizar a mobilização e a participação da comunidade educativa na construção de novas agendas. Essas agendas devem contemplar projetos emancipatórios que tenham como prioridade a mudança social que qualifiquem seu sentido e significado, pensem alternativas para um novo modelo econômico não excludente que contemple valores de uma sociedade em que o ser humano é centro das atenções e não o lucro, o mercado, o status político e social, o poder em suma.

A Educação Não Formal sendo um campo valioso na construção daquelas agendas, pode dar sentido e significado às próprias lutas no campo da educação visando à transformação da realidade social.

 

A

 
 Segunda estação

 

A Segunda Estação (Figuras 3 e 4), aconteceu no chamado Centro de Vivência, onde há a exposição de sementes, madeiras (Xiloteca) e plantas secas (Herbário). Trabalha-se neste espaço o tema: A importância do Coletivo e da Diversidade biológica vegetal, onde o principal foco é mostrar a importância das sementes na formação da vegetação, relacionando os momentos da sucessão ecológica e a integração dos fatores na formação da comunidade complexa, que inclui também o homem. Nesta estação também é destacado o valor da diversidade biológica no e para o planeta.

Nesta estação é realizada exposição de sementes de espécies florestais amazônicas e de vários tipos de madeiras. Assim, facilmente se desenvolve a contextualização, mostrando a utilidade das sementes na cultura de alimentos e a importância dos vegetais para o ambiente, enfatizando o papel das florestas que necessitam ser preservadas para a manutenção do equilíbrio ecológico. O Herbário abriga exsicatas de espécies carismáticas da Amazônia como angelim (Hymenolobium petraeum Ducke) e castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa Bonpl.)

Neste espaço, o trabalho do coletivo e o contato com a diversidade biológica são os principais métodos realizados com os alunos, sempre voltados a conservação dos recursos naturais. O contato direto com a natureza, como prática metodológica, permite a integração destas a uma comunidade complexa, sua interdependência com outros organismos como plantas e animais, de maneira interdisciplinar, demonstrando ligações ecológicas entre os elementos bióticos e abióticos dos ecossistemas.

Para Ramos (2002), a contextualização do ensino é um recurso para ampliar as possibilidades de interação não apenas entre as disciplinas nucleadas em uma área de conhecimento (entre as próprias áreas de nucleação), como, também, entre esses conhecimentos e a realidade do aluno.

Segundo os PCN, o espaço natural atrai a atenção do aluno, pois o mesmo se torna um local de vivência prática, fazendo com que os alunos visualizem as diversas formas de vegetais. Isso proporciona aos discentes, melhor assimilação dos conceitos de botânica, já que para eles são tão abstratos e pouco interessantes.

Freitas (2009) salienta que a prática da interdisciplinaridade é um exercício de recuperação da ideia de unicidade do conhecimento humano que, com o avanço da ciência, foi se ramificando e se especializando de tal forma que as partes parecem não estar mais ligadas ao todo. Somente os professores podem ter uma participação extremamente importante no processo de romper com essa tradição alienante e superar essa contradição histórica entre o saber e a realidade.

 

 

Na caminhada entre a Segunda e Terceira Estação é possível visualizar o viveiro de produção de mudas, onde ocorre a orientação sobre as diversas espécies vegetais existente nas regiões do mundo. A caminhada finaliza com a visita ao Orquidário, que é um espaço delimitado para a conservação de orquídeas.

 

Terceira Estação

 

A Terceira Estação (Figuras 5 e 6), aborda a temática cultural sobre o contexto Amazônico, pois possui um rico acervo lendário e mítico envolvendo a floresta e a água. Este espaço consiste no arboreto do Horto onde várias espécies florestais remanescentes estão organizadas em aléias.

Nesta estação foi encenada a peça “A lenda da Samaumeira que escurecia o Mundo”. O palco para a apresentação foi montado no meio da vegetação em frente a uma árvore de samaumeira (Ceiba pentandra Gaertn.), oportunidade em que o cenário natural envolve o público aproximando-o de uma realidade. Apesar de ser uma forma lúdica de expor as problemáticas relacionadas e desmatamento, perda da bidiversidade, dentre outros conhecimentos, entende-se que a prática realizada nesta estação, direciona o aprendizado para à preservação do meio ambiente e remete a cultura amazônica.

Assim, a utilização dos espaços não formais de ensino aliada ao lúdico, funciona como uma ferramenta que auxilia no processo de desenvolvimento do ensino e aprendizagem, pois detêm a atenção do educando para o diferente, para o novo, mas sempre aliado a educação formal. Para Pinto et al (2010) os espaços não formais de ensino, como centros de Ciências, parque ecológicos, unidades de conservação, entre outros  podem ajudar o ensino formal favorecendo e oportunizando ao alunos maior contato com experimentação que ajudam a adquirir um conhecimento sobre Ciências com ênfase em educação ambiental melhorado, com isso se entende que a utilização das experimentações em espaços de ensino não formal tem um papel importante no aprendizado de ensino de Ciências.

Estas instituições têm como objetivo educar com um potencial singular no processo de ensino e aprendizagem acerca das questões ambientais, pois são espaços que trabalham com educação não formal e tendem a atender um público geralmente de centros urbanos. Estes espaços atuam ensinando e possibilitando aos seus visitantes um contanto com o mundo natural, de forma a ajudar a prevenir as degradações que o meio ambiente vem sofrendo (PIVELLI, 2006).

Segundo Guimarães e Vasconcelos (2006), os espaços não formais são locais que têm se constituído em lugares privilegiados de educação, muitos deles efetuaram mudanças na forma de interagir e comunicar-se com o público, escolar ou não, levando numa mesma linguagem simplificada conhecimentos científicos à população, gerando uma aprendizagem que se dá fora do espaço formal e institucionalizado que é a escola.

 

Quarta Estação

 

A Quarta Estação (Figuras 7 e 8), ocorre em uma sala equipada com recursos tecnológicos como televisão, DVD, data show. Neste ambiente os alunos assistem a filmes e também respondem um questionário previamente estruturado pelos responsáveis do projeto, que se remete a lendas e mitos da região amazônica.

Nesta estação é possível desenvolver discussões sobre as lendas e a cultura Amazônica, relacionar as diversidade de populações presentes na região e principalmente, reforçar a importância da valorização da cultura dos povos. Assim, os alunos assistiram ao filme: A onda festa na pororoca, um curta metragem de animação paraense com roteiro de Adriano Barroso e direção de Cassio Tavernard, produzido em 2005.

Santos (1986) enfatiza que cultura é uma preocupação contemporânea, bem viva nos tempos atuais. É uma preocupação em entender os muitos caminhos que conduziram os grupos humanos as suas relações presentes e suas perspectivas de futuro. Dessa forma o resgate cultural torna-se imprescindível para o resgate dos valores deixados pelos antepassados, como afirma Santos (1986), a história do homem é marcada pela coexistência de múltiplas culturas. Essa variedade é muito importante, pois observando as práticas e tradições de outros povos, somos levados a refletir sobre a coletividade a qual pertencemos.

 

 

 

 

Na quarta estação, os alunos também respondem a um questionário investigativo, que tem por finalidade averiguar o entendimento dos assuntos estudados no projeto. A seguir são apresentadas e discutidas algumas questões deste formulário, em que se faz um breve levantamento do aproveitamento dos alunos sobre sua participação no projeto "Albrás mais perto de Você" do Horto Botânico. 

 

As atividades realizadas no Projeto “Albrás Mais perto de Você” e os conteúdos de Ciências Naturais do currículo escolar

 

Ao relacionarmos as ações desenvolvidas no Horto da ALBRAS aos conteúdos que são trabalhados no currículo escolar de Ciências (espaços formais de ensino), percebemos que estão de acordo com os princípios da contextualização e interdisciplinaridade. Neste sentido, compreende-se que a participação dos alunos no projeto em questão, além de proporcionar aos alunos o contato mais próximo a natureza e discussões necessárias para o cuidado e proteção ao ambiente, possibilita também o contato com muitos conteúdos do currículo de Ciências que são estudados interdisciplinarmente.

O quadro 1 destaca os conteúdos de ciências proposto pelos PCN’s, que ocorrem no espaço do Horto Botânico. As análises das atividades realizadas em cada estação demonstraram que grande parte dos conteúdos apresentados nas orientações curriculares dos PCN, Brasil (2001, 2006) são tratados durante as atividades realizadas no projeto como aponta o quadro 1.

 

Quadro 1 Conteúdos dos PCN tratados nas atividades do Horto Botânico da Albrás

 

 

1º CICLO

2º CICLO

3º CICLO

4º CICLO

PCN+

HORTO

Ambiente:

-Seres vivos vegetais;

- Ciclo vital dos vegetais;

- Floresta, rios, represas, lago, plantação, campo, cidade e horta;

- Degradação ambiental;

Ambiente:

- Ambiente natural

- Seres vivos;

- Recursos naturais;

- Meio ambiente-poluição;

- Decomposição orgânica;

Recursos tecnológicos:

- Transformação de recursos naturais (matéria prima em produtos industrializados, artesanatos, etc);

Terra e universo:

- Recursos de plantas;

 

Vida e ambiente:

- Seres vivos: vegetais;

- Classificação biológica-sistemática

- Diversidade dos seres vivos;

- Reino Plantae;

- Decomposição da matéria orgânica;

- Ecossistemas brasileiros;

Ser humano e saúde:

- Anatomia e fisiologia dos vegetais

Terra e Universo

- Variação no desenvolvimento das plantas;

- Padrões geográficos;

- Produção, Vida e Ambiente:

 

Vida e ambiente

- Relações dos seres vivos com o meio.

- Problemas ambientais.

Tecnologia e sociedade

- Produtos renováveis e não-renováveis.

- Lixo e reciclagem

Interação entre os seres vivos

Problemas ambientais brasileiros e desenvolvimento sustentável.

 

Qualidade de vida das populações humana

Saúde ambiental.

 

Diversidade da vida

- diversidade dos seres vivos.

- A diversidade ameaçada.

 

Avaliação do desempenho dos alunos no projeto

Ao final das atividades presentes no projeto os alunos testam os conhecimentos difundidos nas estações em questionário contendo perguntas abertas e questões objetivas. Abaixo apresentamos rapidamente o desempenho dos alunos sobre os questionários preenchidos.

Questão 1. A Samaumeira (Ceiba pentandra) é uma árvore nativa da região amazônica que nos encanta com sua beleza e seu porte. Você conhece a Lenda da Samaumeira e verificou o quanto esta árvore é respeitada por uma tribo de índios. Qual é a tribo que escreveu a Lenda da Samaumeira?

Nesta questão 53,63% dos alunos entrevistados acertaram e 42,37% erraram como mostra a Figura 9.

 

 

Os dados na figura 9 apontam que mais da metade dos alunos conseguiram responder ao questionamento, atribui-se este resultado ao método dialogado desenvolvido no projeto, em que ocorreu a participação e interação dos alunos durante as atividades realizadas nas estações. Entretanto, 42,37% dos alunos não conseguiram responder ao questionamento, atribui-se a esse numero significativo de erros, ao método avaliativo proposto pelo projeto, visto que ainda aponta uma base muito conceitual e  valoriza a memorização dos assuntos tratados e não a sua compreensão.Baseado em Lukesi (2005) O professor, que trabalha numa didática interativa, observa gradativamente a participação e produtividade do aluno, necessita encontrar outras maneiras de avaliar os alunos, visto que a prova é somente uma formalidade do sistema escolar, não se configurando a única maneira de avaliação (LUCKESI, 1995).

Questão 2. A região amazônica possui um rico acervo de lendas e mitos. Para que não sejam esquecidos é importante contá-los para novas gerações. Você acabou de assistir ao vídeo “Onda – A festa na Pororoca, de Cássio Tavernard, qual a lenda que o filme retratou?

Na figura 10, verifica-se que 97,71%, dos alunos acertaram a questão, isso demonstra que as atividades desenvolvidas durante o projeto facilitaram a compreensão do assunto tratado.  E apenas 2,29% dos alunos erraram a resposta, uma parcela pouco significativa dos participantes no projeto, entende-se nesta questão que o uso do vídeo nesta estação fez a diferença, pois as imagens serviram de referência na fixação do tema abordado, atraiu a atenção dos alunos facilitando na assimilação do assunto estudado.

A utilização de vídeos voltados a melhoria do aprendizado pode ser evidenciado nos estudos de Barbosa e Barzo (2013) que utilizaram documentários como recursos facilitadores para discussão de CTS e na pesquisa de Quaresma e Wanzeler (2017) em que apontam o uso de vídeos de ciências como ferramenta importante para a construção da aprendizagem significativa.

Questão 3. “O ecossistema é o conjunto formado pela comunidade e o meio ambiente: as relações que os seres vivos de uma comunidade estabelecem com fatores ambientais como, por exemplo, solo, água, ar, animais e os homens, entre outros". De acordo com a programação de hoje essa afirmativa é:

 

Na Figura 11, evidencia-se cerca de 6,47% de erros sobre os conceitos de Ecologia, um pequeno percentual, em relação ao número de acertos, que foi de 93,53%. Nesta questão é possível afirmar que os conceitos científicos foram aprendidos, mas também pode-se verificar entre os participantes maior entendimento sobre as relações presentes no contexto socioambiental, visto que nas discussões, os alunos  conseguiam estender essa compreensão para além das relações entre os elementos bióticos e abióticos. Segundo Gohn (2008) o tratamento das questões ambientais em espaços considerados não formal, ocorre por meio da vivência de certos problemas ambientais, ou seja, a aprendizagem ocorre não pela memorização dos conteúdos previamente sistematizados, mas pelas ações interativas entre os indivíduos.

 

Questão 4. “As sementes plantadas formarão florestas, onde cada árvore faz parte de comunidade complexa, misturando-se com o meio ambiente. Assim convivem em um ecossistema os vegetais, os animais e os seres humanos”. A partir da afirmativa podemos concluir que:

Quanto às relações corridas no ecossistema, verificou-se que a maioria dos estudantes acertou 96,87% a questão - Figura 12, demonstrando que o estudo prático desenvolvido em cada estação do projeto promove melhor assimilação sobre os temas estudados, aplicando conceitos e significados, visto que o aluno consegue sentir e vivenciar o que estuda na teoria dos assuntos como botânica, ecologia e educação ambiental. Segundo Viana (2008) a realização de atividades com enfoque ambiental, desperta no educando um maior interesse pelas questões ambientais que não fogem das realidades de cada um, ajudando assim uma maior compressão dos conteúdos do que quando são ensinados nos espaços formais, com isso aumentam os conhecimentos dos alunos sobre ciências por meio dessas ações.

Para Oliveira (2011) e Krasilchick (2008) a utilização de espaços não formais para a educação é uma importante ferramenta para colocar os estudantes frente a frente com seu objeto de estudo, assim é considerado também instrumento motivador para o processo de ensino-aprendizagem, por diferençar-se, o espaço para acontecimento da educação relacionando o conhecimento com o dia a dia dos alunos.

 

Considerações finais

Pelo que foi discutido no referido trabalho foi possível constatar que o Horto Botânico da ALBRAS é um espaço que viabiliza caminhos para a construção da aprendizagem em ciências ampliando a complexidade na intenção do estudo do meio ambiente.  Logo, este espaço pode contribuir para que a educação das ciências naturais com foco na questão ambiental seja consistente e desafiadora, já que, suas vertentes elucidam a prática escolar de forma lúdica, social, ambiental e cultural, promovendo assim o ensino de qualidade no que tange novas metodologias didáticas educativas propostas.

No entanto, como todas as novas propostas metodológicas, esta não está isenta a modificações e ajustes para sua melhoria. Propõe-se que os professores mediadores tenham maior participação no projeto, fazendo uma apresentação prévia do mesmo através de programações de palestras para as turmas que participarão do projeto

A educação por si só não é capaz de operar transformações, mas ela apresenta o potencial de despertar a sensibilidade de ações libertadoras, capazes de promover a aquisição de novos conhecimentos em torno das potencialidades dos diferentes espaços extraescolares disponíveis nas redondezas das escolas, garantindo o desenvolvimento de atividades mais prazerosas e motivadoras para os alunos, sem reduzir a qualidade da aprendizagem já construída, porém, buscando sempre, aperfeiçoá-las. A utilização de metodologias diferenciadas que envolvam o cotidiano, o que caracteriza uma aprendizagem mais eficaz, já que compreende o desafio constante de ultrapassar fronteiras nas esferas da sala de aula, despertando no educando interesse e satisfação em aprender.

Nesse sentido, o trabalho realizado no Horto Botânico é de fundamental importância, pois o docente a partir da utilização deste espaço possibilita ao aluno vivenciar o concreto, o palpável, saindo da teoria e partindo para a prática uma vez que, esse ambiente é tido como um instrumento pedagógico de ensino, diferenciador e motivador, contribuindo para a melhoria na qualidade de ensino nesta localidade.

 

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WANZELER, Anne Krisna Serrão; QUARESMA, Raiane Rodrigues. UTILIZAÇÃO DE VÍDEOS NAS AULAS DE CIÊNCIAS: perspectiva para a promoção da Aprendizagem Significativa. Trabalho de conclusão de curso. Universidade do Estado do Pará. Ano, 2017.

 

 



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