ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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Prêmio: Destaques

10/03/2018EDUCAÇÃO AMBIENTAL: AÇÕES DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DE UMA ESTUFA ECOLÓGICA  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: AÇÕES DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA  NA CONSTRUÇÃO DE UMA ESTUFA ECOLÓGICA


Edinalva Alves Vital dos Santos1; Maria Tatianny de Oliveira Vasconcelos2; Marcio Frazão Chaves3



1Bióloga,Pós Graduanda em Gestão dos Recursos Ambientais do Semiárido, IFPB, Campus Picuí/ ednalva.avs@gmail.com

2 Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Campina Grande Centro de Educação e Saúde

3 Doutor em Ciência Animal Tropical pela Universidade Federal Rural de Pernambuco

Resumo:A Educação Ambiental (EA) busca formar cidadãos críticos, com habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. Este trabalho teve por objetivo desenvolver práticas de EA através de coleta seletiva de garrafas PET, construindouma estufa ecológica reutilizando este material.Este projeto foi desenvolvido em 2016,na EscolaAndré Vidal de Negreiros, na cidade de Cuité-PB. Participaram deste projeto bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), com o subprojeto de Biologiada Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Centro de Educação e Saúde, e alunos do 6° ao 9° ano da escola ora citada. Para a construção da estufa, utilizou-se madeira, arame, tela e, principalmente, as garrafas PET. Coletou-se cerca de mil garrafas, as quais foram cortadas em forma de funil pelos alunos e bolsistas do PIBID. Os funis serviram de colunas para a arquitetura das paredes. Os resultados deste projeto proporcionaram aos alunos uma nova sistematização de ensino, focando nas questões ambientais e na conscientização acerca deste tema, proporcionando aos alunos práticas de ensino distintas da sala de aula e despertando a proatividade dos mesmos.O desenvolvimento do projeto foi um divisor de águas na formação docente dos participantes do PIBID, além de ter propiciado uma prática inovadora e transformadora tanto para a escola quanto para os alunos, contribuiu também para o desenvolvimento de práticas educacionais com temáticas atuais, sobre o meio ambiente e seus problemas, despertando nos alunos a conscientização e o interesse por ações que possam mitigar os problemas da realidade local.



Palavras-chave:Materiais recicláveis; Práticas Educativas; Interdisciplinaridade; Meio Ambiente.



Abstract:The Environmental Education seeks to form critical citizens, with skills, attitudes, and skills aimed at the conservation of the environment. The objective of this work was to develop by environmental education through a selective collection of PET bottles, building an ecological greenhouse reusing this material. This project was developed in 2016, at the André Vidal School of Negreiros, in the city of Cuité-PB. Participating in this project were PIBID scholarships, with the biology subproject of the Federal University of Campina Grande (UFCG), Education and Health Center, and students from the 6th to 9th grade of the school. For the construction of the greenhouse, we used wood, wire, canvas and, mainly, the PET bottles. A thousand bottles were collected, which were cut into a funnel by PIBID students and scholars. The funnels served as columns for the architecture of the walls. The results of this project provided the students with a new systematization of teaching, focusing on environmental issues and awareness on this topic, providing students with teaching practices distinct from the classroom and awakening their proactivity. The development of the project was a watershed in the teacher training of the PIBID participants, in addition to providing an innovative and transformative practice for both the school and students, it also contributed to the development of educational practices with current themes on the environment and its problems, awakening in the students the awareness and the interest for actions that can mitigate the problems of the local reality.



Keywords:Recyclabe materials, Educational Practice, Interdisciplinary, Environment



Introdução

AEducação ambiental (EA) é uma área de ensino que busca a conscientização e o desenvolvimento de novas práticas sustentáveis, a fim de despertar uma reflexão a respeito dos problemas ambientais provocadospelo crescimento populacional, urbanizaçãoe industrialização, seguidos de outros fatores causados pelas ações antrópicas. De acordo com Teixeira (2017),a EA é um instrumento para melhoria de vida, enfatizando o papel dos cidadãos para a conscientização da importância de se conservar o meio ambiente e remodelar os hábitos errôneos do dia a dia, buscando amenizar os problemas causados pela falta de conhecimento.Conforme Jacobi (2003, p. 190), “a reflexão sobre as práticas, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e seus ecossistemas, envolve uma articulação necessária com a produção de sentidos sobre a educação ambiental”.

Diante da colocação do autor, é necessário discutir sobre as questões ambientais pelas quais estamos passando, e acima de tudo, criar estratégias de mitigação destes problemas, uma vez que somos nós os autores do cenário ambiental atual no qual estamos vivendo.Muito embora seja preciso ações das políticas públicas ambientais que possam ajudar nestas tomadas de ações. Berguerandet al. (2016, p.2) afirmam que

Aproposta do MEC para a prática da EA na escola, implementada pela Coordenação Geral de Educação Ambiental, é a inserção da temática ambiental nos currículos, aliada à adoção de uma nova postura, de práticas e atitudes, de toda comunidade escolar.


Assim, os autores retratam a importância da comunidade acadêmica na prática da EA e relatam as problemáticas enfrentadas em sala de aula diariamente.Ainda sobre esta temática, Correia e Santos (2016) debatem sobre duas vertentes para o ensino da EA, as quais são retratadas da seguinte forma: como uma simples prática de ensino dos conhecimentos científicos e como uma prática de ensino voltada para o diálogo com base não apenas nas questões ambientais, mas também em um processo político e cultural. Barbosa, Costa e Graciolli (2017) compartilham deste mesmo pensamento ao afirmarem que a EA transformadora na escola exige uma mudança social no ambiente, associada aos valores, padrões cognitivos e às ações políticas e econômicas.

Nesse sentido, discutir sobre a educação ambiental nas escolas já é um avanço para a formação de pessoas mais conscientes e preocupadas com a qualidade de vida atual e com o futuro dos ecossistemas. Seguindo este raciocínio, Carvalho (2006, p. 71) traz sua concepção sobre a educação ambiental e revela que:


Educação Ambiental é considerada inicialmente como uma preocupação dos movimentos ecológicos com a prática de conscientização, que seja capaz de chamar a atenção para a má distribuição do acesso aos recursos naturais, assim como ao seu esgotamento, e envolver os cidadãos em ações sociais ambientalmente apropriadas [...].


Frente a esta conjuntura dos problemas ambientais, a prática da educação ambiental nos recintos escolares se torna crucial, uma vez que são estes os principais espaços de disseminação e construção do conhecimento. É o que atestam Medeiros et al. (2011, p.2), ao afirmarem que “a educação ambiental nas escolas contribui para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade”.

Sendo assim, é possível propagar, através das escolas, o conhecimento, alertando os jovens e crianças sobre a situação dos problemas ambientais e sobre como deve ser a sua postura em relação ao meio ambiente. O ensino de ciências sobre estes temas é tratado, por muitos professores, de uma forma simplista, levando em consideração apenas aspectos superficiais, em que é dada ênfase apenas ao seu caráter teórico, o que gera no aluno desmotivação e pouca percepção dos conhecimentos referidos aos fenômenos naturais e aos impactos causados pela ação do homem sobre o ambiente. A busca de novas metodologias, com a finalidade de melhorar o ensino-aprendizagem de alguns conteúdos e conceitos, e o exercício de novas práticas pedagógicas devem ser estimuladas, a fim de auxiliar o professor e provocar curiosidade nos alunos em aprender.

Para tanto, a realização de projetos nas escolas,a fim de conscientizar ou até mesmo minimizar alguns efeitos causados pelas ações humanas, é uma forma de inovar as práticas, que devem incluir não apenas os alunos, mas também toda a comunidade e, assim, promover hábitos que beneficiem toda a população. Bosaet al., (2007) já defendiam que projetos de Educação Ambiental na prática cotidiana da escola podem ser exemplos para se criar comportamentos adequados ao meio ambiente. Além da escola, é pertinente que projetos de EA também se insira em outros setores, para que se possa contemplar toda a sociedade. Nesta mesma percepção, Rocha (2010, p. 31) foienfática a respeito desta temática ao afirmar que



É necessário que todos os setores sociais possam se envolver em programas, projetos e atividades promovidas em prol da qualidade de vida. Através da educação ambiental o homem poderá dispor de inteligência e capacidade de refletir sobre o meio com o objetivo de transformá-lo, por meio do trabalho e das ações. Pois, a participação do homem como sujeito na sociedade se faz à medida que é educado a fim de conscientizar-se e assumir sua responsabilidade de ser humano.


A implantação de projetos de natureza ambiental com os temas adequados para cada região é uma forma de mostrar aos alunos a realidade que vivemos e como se reeducar e se posicionar diante de ações mitigadoras de impactos causados na natureza,em que se destacam a poluição do ambiente pelo descarte incorreto e a falta degestão do lixo e dos resíduos sólidos, de modo a reduzir e/ou reutilizar os resíduos precedentes do consumismo.


Cabe ressaltar o papel da sociedade no desenvolvimento de projetos de Educação Ambiental, que envolvem a todos, divulgando a ideia de que a reciclagem por si só não pode ser considerada a solução, mas que a mudança de hábitos e atitudes pode levar a sociedade a tomar medidas mais abrangentes, com ações que minimizem a quantidade de resíduos na própria fonte geradora, consumindo menos e reutilizando embalagens descartáveis, por exemplo (PERSICH e SILVEIRA, 2011, p. 417).



Tendo em vista os problemas causados pelo acúmulo do lixo, principalmente o descarte exacerbado dos materiais PET, na cidade de Cuité- PB, pela falta de coleta seletiva e carência na reutilização e reciclagem destes materiais, O PIBID Subprojeto de Biologia objetivou realizar práticas de educação ambiental junto aos alunos, na disciplina de Ciências, na Escola André Vidal de Negreiros,em coletar garrafas petes e construir uma estufa ecológica de forma sustentável e partir desta desenvolver outras práticas de educação ambiental.



Material e métodos



Área de Estudo

O município de Cuité localiza-se na mesorregião do Agreste Paraibano e microrregião do Curimataú Ocidental, entre as coordenadas 6° 29’ 06’’ S e 36° 09’24’’ W (TEIXEIRA, 2003).

Durante o ano de 2016, o projeto de educação ambiental foi desenvolvido na Cidade de Cuité, mais precisamente, na E.E. E. F André Vidal de Negreiros, envolvendo os alunos do Ensino Fundamental II. O início e o desdobramento do projeto foram uma iniciativa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID),do subprojeto de Biologia da UFCG-CES. 

Esta iniciativa teve como foco a reutilização das garrafas PET como forma de diminuir a quantidade de lixo no meio ambientee através disso, construir uma estufa ecológica para, posteriormente, utilizá-la como espaço para produção de mudas nativas da caatinga e laboratório de aulas práticas de educação ambiental.



Metodologia



Explanação Teórica



A etapa inicial do projeto deu-se através de explanações teóricas com as turmas do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental II, referentes a temas de educação ambiental, dando ênfase ao descarte correto e reutilização de resíduos sólidos, bem como à preservação, à conservação e ao endemismo das espécies nativas do bioma caatinga (Figura 1A-C).

Para realização destas aulas expositivas, foi utilizado como recursos tecnológicos o uso dodata show para exposição de imagens e vídeos, retratando (Figura 1) a realidade dos impactos ambientais em ambiente Caatingae os desafios encontrados na elaboração de estratégias que minimizem os impactos acerca das ações antrópicas que vêm castigando de forma devastadora estas áreas.


Figura 1.A-C. Explanação sobre Educação Ambiental ministradas por integrantes do Pibid sob a supervisão da professora de Ciências na Escola Vidal de Negreiros, Cuité- PB


Fonte: Elaborado pelos autores (2016).



Coleta de Material Reutilizável



A divulgação do projeto foi feita através dos bolsistas PIBID e alunos na escola, na rádio da cidade e em carros de som pelas ruas da cidade. Os bolsistas, juntamente com a escola, também realizaram uma gincana de ciências pelas ruas, passando por pontos estratégicos, como bares, restaurantes, mercado público e também em casas particulares para arrecadação do material. Caixas de papelão foram instaladas em pontos comercias para recolhimento das garrafas, afim de conseguir um número significativo de garrafas que fossem suficientes para confeccionar a estufa (Figura 2A-B).

Figura 2. A-B. Coleta de Garrafas pet para construção da estufa ecológica com os alunos do 8º “A” diurno e os Bolsistas do PIBIDI da Escola André Vidal de Negreiros.


Fonte: Elaborado pelos autores (2016).



Construção da Estufa Ecológica

Para a construção da estufa, utilizou-se madeira, arame, tela e, principalmente, as garrafas PET. O alicerce da estufa foi feito com madeira, a armação da estufa mede 2,5 metros de comprimento e 2,5 metros de largura (Figura 3A).Depois da construção da base, foram usadas as garrafas, cortadas pelos alunos e os bolsistas do PIBID. Os cortes foram realizados na extremidade da base de cada garrada, deixando-as em forma de funil, a utilização do arame serviu de suporte para as garrafas serem encaixadas umas nas outras, formando colunas. Depois das colunas elaboradas,inseriu-se o arame pela abertura do das extremidades das garrafas e as pontas do arame foram prendidas na base e no topo da armação da madeira.  A construção de várias colunas arquitetou as paredes (Figura 3A-D).



Figura 3. Construção da Estufa Ecológica.A. Encaixe das garrafas,B. Participação dos alunos da turma do 8º ano A diurno, na construção,C. Arquitetura das paredes,D. Amarração das colunas E-F. Construção da parte superior, G. Estufa finalizada.



Fonte: Elaborado pelos autores (2016).



As tampas das garrafas foram reutilizadas para a produção de uma placa de identificação da estufa(Figura 4A-B). Para a elaboração do telhado, utilizou-se tela de sombreamento (tela de nylon). Este tipo de tela auxilia o sombreamento na porcentagem ideal, pelo controle dos raios solares, garantindo maior produtividade e homogeneidade no crescimento das plantas, a estufa em si permite a entrada dos raios e impede a entrada parcial de vento e chuva.

Neste aspecto, a construção da estufa,com a tela de sombreamento como telhado, é ideal para regulação da incidência dos raios solares sobre as plantas e a proteção contra ventos, chuvas e ataques de animais. Foi construída uma bancada de madeira, com material de refugo, para servir de apoio para as mudas que, posteriormente, poderão ser produzidas (Figura 4-C).


Figura 4.Reutilização das tampinhas e bancada de material de refugo. A-B placas de boas-vindas e identificação do PIBID, produzidas pelos alunos do 8º A diurno; C. Bancada de suporte para as mudas feitas a partir de material de refugo. D. horta vertical de garrafas pet feita pelos alunos do 6º A.


Fonte: Elaborado pelos autores (2016).



Resultados e discussão



Percepção dos Integrantes do PIBID sobre a aprendizagem dos alunos após as práticas de educação ambiental



A construção da estufa (Figura 5) apresentou-separa os alunoscomo uma alternativa de ensino distinta das que eles estavamhabituados a ter durante o tempo que passam na escola, onde boa parte deste tempo se concentra em aulas expositivas. A saída do aluno da sala de aula para aulas de campo ou atividades extraclasses os aproximaram da realidade local e dos problemas acerca da sociedade e da natureza, esta foi uma maneira dos discentes adquirirem uma percepção das medidas preventivas que podemos tomar para preservação dos ecossistemas. De acordo com Lima e Assis (2005, p. 112), “o trabalho de campo se configura como um recurso para o aluno compreender o lugar e o mundo, articulando a teoria à prática, através da observação e da análise do espaço vivido e concebido”.

Nesta perspectiva, Moran (2004, p. 3) relata que a sala de aula e outros espaços educativos devem ser interagidos para se atingir a um maior rendimento na aquisição do conhecimento: “a sala de aula sempre será, cada vez mais, um ponto de partida e de chegada, um espaço importante, mas que se combina com outros espaços para ampliar as possibilidades de atividades de aprendizagem”.


Figura 5. Estufa finalizada.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016).


Através da construção da estufa, evidenciou-se não apenas o aluno ouvinte, mas também o aluno praticante. A ideia de usar a estufa como área para aulas mais dinâmicas e diversificadas possibilitou explorar diversas temáticas, enfatizando, sobretudo, o homem e o meio ambiente, abrindo leques para a problemática da água na nossa região, como o desmatamento e a perda da biodiversidade. Estas temáticas foram acompanhadas de alternativas conservacionista para tais problemas.

Essas abordagens, além da construção da estufa, foram consolidadas através de aulas de campo, podendo destacar a visita à Lagoa de Cuité e ao Horto Florestal. Evidenciar os problemas ambientais através da teoria e poder mostrar aos alunos a realidade destes problemas, proporcionou uma experiência diferente da qual estavam acostumados a vivenciar em sala de aula.

É interessante para os alunos variar as metodologias de ensino,uma vez que as formas tradicionais de ensino dão prioridade a conhecimentos teóricos e abstratos, não atrelada às informações em detrimento dos problemas concretos e regionais,como o caso do descarte incorreto das garrafas PET, que ocorre nas cidade de Cuité e na maioria das cidades brasileiras. O professor, nesta perspectiva, tem o poder de inovar nas suas metodologias de ensino e dar visibilidade à realidade ambiental do seu entorno.

É extremamente importante introduzir mais criatividade nas novas metodologias, abandonando os modelos tradicionais e buscando novas alternativas. Nesse contexto, o professor é o fator-chave para mediar o processo de aprendizagem. O método selecionado pelo professor depende do que ele aceita como objetivo da Educação Ambiental, seu interesse e sua formação construída (SATO, 2003, p. 25).


Segundo Rodrigues (2008), o uso das práticas ambientais tem se intensificado, a fim de sensibilizar, como também informar a realidade ambiental e qual deve ser o nosso papel e responsabilidade sobre oque ocorre no meio ambiente. Neste aspecto são extremamente importantes que exercícios relativos ao meio ambiente sejam promovidos de forma paralela aos conteúdos ministrados pelas demais disciplinas, visando desenvolver atividades práticas valorativas que aproxime o aluno a realidade e as causas dos problemas ambientais.

Diante desta nova sistematização de ensino, os alunos tornaram-se mais ativos e participativos, com sugestões e ideias que enriqueceram as iniciativas do PIBID de Biologia na escola onde o projeto se realiza. Os mesmos propuseram a confecção de um mural interativo, onde cada aluno poderia deixar suas mensagens de conservação e preservação da natureza, como uma forma de perpetuar a ideia e conceitos trabalhados durante o projeto da estufa e a importância de viver e trabalhar de forma sustentável, sem agredir o meio ambiente.

Essa nova postura dos alunos mostra as possibilidades e o potencial que a escola tem e pode exercer na educação ambiental dos jovens, e como é pertinente a integração da universidade com as escolas e a cidade, para desenvolver estes tipos de projeto que dar visibilidade aos problemas pontuais que vivemos e os despertam, pra uma visão diferenciada, onde podemos perceber nossa postura como cidadão, e como podemos quebrar os paradigmas e traçar novas ações a favor do nosso bem estar e do meio ambiente.

Medeiros  et al (2011) e  Efeting (2007)  ressaltam a importância de iniciativas voltadas para o desenvolvimento de práticas educativas, com ênfase na preservação do meio ambiente, não apenas em escolas públicas, mas no contexto social. Segundo Carvalho (2006) e Cuba (2011), a Educação Ambiental tem assumido nos últimos anos o grande desafio de garantir a construção de uma sociedade sustentável, em que se promova na relação com o planeta e seus recursos valores éticos, como cooperação, solidariedade, generosidade, tolerância, dignidade e respeito à diversidade.

Conforme Teles, Belo e Silva (2016, p. 2) “É preciso começar a agir localmente, amenizando essas questões que afetam todo o mundo e um dos caminhos é sem dúvida a reutilização de materiais que seriam descartados”.Os autores nos mostram o nosso dever de utilizar materiais recicláveis e a importância de como essas ações fazem diferença na EA. Peres e Cnossen (2017), vem com a proposta de que esses ensinamentos podem ser retratados através do professor,sendo este o responsável por debater com os alunos sobre os benefícios que essas ações nos trazem.

Diante do exposto, foram reutilizadas, aproximadamente, mil garrafas PET para construção da estufa, de forma sustentável. Essa iniciativa surtiu diferença na diminuição do índice de lixo na cidade, minimizando também os impactos causados, caso essas garrafas fossem depositadas em terrenos, esgotos, rios e matas,pois, segundo o Ministério do Meio Ambiente, umagarrafa PET demora, no meio ambiente, mais de 400 anos para se degradar.

A boa notícia é que, apesar dos danos causados ao meio ambiente, a reutilização e a reciclagem deste material já vêm sendo trabalhados nas escolas, através do reaproveitamento de materiais reciclados para artesanatos como também nas cidades por meio de palestras em discussão sobre a separação e reciclagem do lixo. Sato et al. (2016) revelam que é enorme a quantidade de produtos que podem ser produzidos a partir do PET, sendo a maioria produzida pelo artesanato. Porém, os autores fazem uma ressalva para a atuação das indústrias e citam que a Amazon Tubos tem estudos e projetos sobre a reutilização dessa matéria-prima em outros produtos de mercado com potencial comercializável, a exemplo dos tubos de PET, que podem ser substituídos pelo PVC.

Além desses aspectos, a intervenção em forma de conscientização foi uma atividade extremamente importante, pois os alunos começarama enxergar a problemática do consumo e do descarte do lixo como uma responsabilidade de cada um e como o descarte incorreto é prejudicial ao ambiente. Em face disso, Faria (2011, p.3) fala da importância da implementação da educação ambiental na escola como ferramenta de conscientização, uma vez que a comunidade escolar é consumidora e, consequentemente, produtora de lixo.


A EA na instituição escolar pode trabalhar com propostas pedagógicas que sensibilizem os estudantes para a redução do consumismo e consequentemente para redução da produção de lixo. Além disso, a EA pode conscientizar a comunidade escolar para a importância da coleta seletiva e da reciclagem e reutilização de materiais. Dessa forma, a EA pode mudar a concepção e prática das pessoas em relação a suas atitudes na gestão de resíduos sólidos (FARIA, 2011, p. 3).


A partir da estufa, outras práticas foram realizadas e criou-se outras iniciativas, podendo destacar a arborização da própria escola, utilizando espécies nativas da caatinga, visando a conservação genética da flora nativa do semiárido, como também a criação de uma área verde para a escola que propicie o embelezamento da cidade, prazer estético e a melhoria da saúde física e mental da população escolar (CEMIG, 2011). Essa ação de arborização contou com o plantio de onze espécies de plantas nativas da caatinga indicadas para arborização urbana (Figura 6).


Figura 6. A-D:Arborização na escola André Vidal de Negreiros com plantas nativas da caatinga pelos alunos do 8º B diurno juntamente com os integrantes do PIBID.


Fonte: Elaborado pelos autores (2016).



Considerações finais



O despertar para a prática e implementação da educação ambiental na Escola André Vidal de Negreiros contribui de forma proveitosa, proporcionando aos alunos resultados expressivos, transformando-os em pessoas perspicazes e conscientes dos problemas que os cerca.

A elaboração e execução desse projeto confirmou-se como uma etapa fundamental na formação dos bolsistas do PIBID, do subprojeto Biologia/CES. Uma vez que oportunidades foram criadas e possibilitaram aos futuros professores o exercício da docência, de modo a ser trabalhado de forma interdisciplinar, contribuindo, dessa forma, na construção de uma carreira, através das experiências vividas, e assim, pensar em novas possibilidades de atuar e praticar a educação ambiental nas Escolas.

Contudo, o desenvolvimento do projeto mostra que foi possível plantar os princípios básicos de educação ambiental atrelados às informações relacionada aos problemas ambientais da nossa realidadee como nós, integrantes do meio ambiente, podemos fazer a diferença e mitigar os problemas ambientais pontuais da nossa realidade. Porém,ressaltamos a necessidade da efetivação das políticaspúblicassobre a gestão dos resíduos sólidos que já foi instituída como lei desde 2010 e vem se arrastando até os dias atuais.

Como ressaltado nos resultados do projeto, esse trabalho serviu como embasamento para a produção de novas propostas de ações voltadas para a EA, que foram, posteriormente, iniciadas na escola.


Agradecimentos:


Adeilma Fernandes,Sebastião Tilbert,Thatiany Souza e Ângela Costa, pela elaboração e realização dos primeiros passos do projeto, a E.E.E.F. André Vidal de Negreiros por disponibilizar as dependências e equipamentose aCapes, pelo fomento para o prosseguimento e conclusão do projeto.


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