ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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Prêmio: Destaques

10/03/2018CONCEPÇÕES E SENSIBILIZAÇÕES DE ACADÊMICOS DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL SOBRE A FRAGILIDADE DE UM CÓRREGO EM ÁREADE ECÓTONO  
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CONCEPÇÕES E SENSIBILIZAÇÕES DE ACADÊMICOS DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL SOBRE A FRAGILIDADE DE UM CÓRREGO EM ÁREA DE ECÓTONO

Andrew Vinícius Cristaldo da Silva

Graduação em Biologia (UFMS), Pós-graduação em Educação Ambiental (USP), Mestre em Biologia (UEM)

Maicon Velasco de Melo

Graduando em Biologia (UFMS)

Thailyne Vitorino Verdum

Graduação em Pedagogia (UFMS)

Lilian Maria da Silva

Graduação em Pedagogia (UFMS)

Tales Vinícius Marinho de Araújo

Universidade Federal do Amazonas- UFAM





RESUMO:



O trabalho teve como objetivo avaliar a concepção e sensibilização ambiental de acadêmicos de uma Universidade Federal referente e ao estado conservação de um ecossistema aquático em área de ecótono em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, bem como levantar possíveis medidas de proteção para o mesmo, mediante a perspectiva de educação ambiental.





Palavras-chave:percepção ambiental, recursos hídricos, universidade.

ABSTRACT:

The objective of this work was to evaluate the conception and environmental awareness of academics of a Federal University regarding the conservation status of an aquatic ecosystem in an ecotone area in Aquidauana, Mato Grosso do Sul, as wellastorais e possible measures of protection for the same, through the perspective of environmental education.

Keys-word: environmental perceptionhydricresources, university.

INTRODUÇÃO

O Ensino de Ciências, desde a década de 1980, vem proporcionando um campo produtivo para discussões acerca de questões ambientais, dado que as preocupações da sociedade com o meio ambiente acentuaram nas últimas décadas. A escola possui papel fundamental na divulgação do conhecimento científico, no entanto, nem ela, nem nenhuma instituição conseguem acompanhar a evolução das informações científicas, necessárias a compreensão do mundo (OLIVEIRA, 2006).

Aspectos relacionados à temática ambiental vêm se tornando um assunto comum e prioritário na sociedade brasileira, principalmente depois da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92). Essa abordagem tem grande relevância uma vez que à vulnerabilidade do ambiente em sofrer qualquer tipo de impacto está intimamente relacionada aos fatores de desequilíbrio de ordem natural ou antropogênica (Tamanini 2008).

O termo ‘ecótono’ foi utilizado pela primeira vez em estudos da vegetação terrestre e citado por Clements (1905) para caracterizar uma zona de tensão entre dois ecossistemas distintos, o que é confirmado pela etimologia da palavra, sendo esta de origem grega, onde ‘tono’ provém de tensão, agregada do prefixo ‘eco’, indicando área ou zona de tensão. Pela definição original, há necessidade de que pelo menos duas condições sejam atendidas, para que determinada área seja considerada um ecótono: transição entre dois ecossistemas diferentes e tensão entre ambos.

Distintos autores relatam que a concepção que o indivíduo tem em relação ao ambiente é que o guiará à sua vivência nesse meio(Del rio oliveira, 1999; Oliveira e Corona, 2008). Diante disso, o estudo da percepção ambiental é fundamental para que possamos compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, anseios, satisfações e insatisfações, julgamentos e conduta, ou seja, o ato de perceber o ambiente que se está inserido, aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo sendodesse modo, importante para guiar futuras ações através da educação ambiental.

Com isso, a perspectiva ambiental, enquanto ação educativa, somente apresentará resultados satisfatórios quando houver uma maior conscientização da sociedade, sobretudo no tocante as barreiras que impedem o equilíbrio ambiental (SEABRA, 2011).

OBJETIVO

O presente estudo teve como objetivo avaliar a percepção ambiental de acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul referente e ao estado conservação do ecossistema aquático (Córrego João Dias, no município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul) assim como levantar possíveis medidas de proteção para o mesmo, mediante a perspectiva da educação ambiental.

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada entre os meses de setembro a novembro de 2016, onde, por sua vez, participaram aproximadamente 45 acadêmicos do curso de Pedagogia da UFMS. Inicialmente, em sala de aula, foram ministradas oficinas teóricas no que tange a ecologia do cerrado, impactos ambientais frente a ações antrópicas, estratégias de manejo e conservação do ambiente, bem como estratégias de sensibilização e educação na perspectiva ambiental. Posteriormente, houve quatro saídas de campo que compreenderam visitas a nascente do córrego, região intermediária e a jusante do córrego João Dias. Todas as observações foram anotadas e fotografadas em campoproporcionando aos acadêmicos discussões a respeito das condições ambientais do córrego e sensibilização do mesmo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No primeiro encontro do estudo foram realizadas oficinas no próprio campus Universitário onde os acadêmicos abordaram os conteúdos relacionados à preservação ambiental, impactos ambientais e estudos sobre o Bioma do Cerrado e do Pantanal.

A primeira saída a campo objetivou observar a nascente do Córrego João Dias. Segundo os alunos, a nascente encontrava-se preservada pois “há vegetação no entorno da mesma, e não foi constatada presença de lixo”. Em aula, foi discutido que a preservação não está condicionada apenas no local onde a nascente está inserida, mas também em seu entorno. Apesar de haver vegetação ripária, é possível que esta não seja suficiente para proteger as águas contra a lixiviação procedente de plantações vizinhas tendo em vista que sua extensão é inferior a 20 metros.

Os alunos foram levados mais abaixo da nascente na segunda saída de campo, onde perceberam que a “mata ciliar foi substituída por plantações de mandioca e o córrego apresentava-se raso e barrento”. No mesmo local, as discussões concentraram-se no processo de assoreamento do rio, em que a falta de vegetação permitiu que a enxurrada carreasse o barro proveniente das plantações, deixando no córrego o acúmulo de detritos, areia e sedimentos.No terceiro dia de campo, os discentes foram levados a uma área mais preservada do córrego, onde encontrava-se uma indústria de celulose.

No local havia “vegetação ripária de grande extensão e contatou-se a presença de animais, como aves, capivaras e insetos”. Neste local os alunos puderam contrastar as diferenças no ambiente de um lugar preservado de um não preservado, a água estava mais transparente, porém, continha muita matéria orgânica, talvez a presença de uma grande quantidade de insetos esteja relacionada a isso. Neste ponto, foi discutido sobre os serviços ecossistêmicos proporcionado pelo ambiente e a importância de seu uso sustentável. Ainda no mesmo dia, os acadêmicos foram levados a uma parte do córrego que fica atrás de um condomínio residencial popular. Os alunos foram surpreendidos pelo descaso da população para com os recursos hídricos, verificando a existência pneus, entulhos e lixo doméstico.

O último encontro foi realizado na foz do córrego, que se encontra próximo ao campus universitário, apesar de haver vegetação ripária e muitos animais, ainda foi perceptível a presença de lixo no local proveniente do condomínio residencial transportado pelo córrego.

Para concluir o assunto foi realizado um debate referente às observações individuais dos acadêmicos mediante o estado de conservação do córrego. Nesta aula, o assunto mais abordado foram o processo de degradação e exploração do córrego pela agricultura rudimentar indígena e também da intensa exploração e degradação do mesmo pela população urbana de Aquidauana. Diante disso, os acadêmicos do curso de Pedagogia discutiram as possíveis medidas protetivas que poderiam ser implantadas ao longo do córrego João Dias, sendo essas, a restauração e proteção da mata ciliciar e principalmente a conscientização da população indígena e urbana quanto à importância e preservação do córrego.

De acordo com Sato (2004) o ato de sensibilizar afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica, além disso, estimula a formação de pessoas socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependência e diversidade.

Diante disso, o profissional deve difundir um pensamento para que seus alunos interfiram de maneira menos catastrófica no planeta (TELLES et al, 2002). Neste sentido, a educação deve apontar para propostas pedagógicas centradas na conscientização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos (REIGOTA, 1998).

A Sensibilização Ambiental pretende atingir uma predisposição dos alunos para uma mudança de atitudes. No entanto, essa perspectiva só é verificada se depois de sensibilizados forem apresentados os meios da mudança que levem a uma iniciativa mais correta para com o ambiente (AZEVEDO, 2012) “Estar sensível, portanto, significa estar apto a sentir em profundidade as impressões, participar ativamente delas e tentar intervir sobre aquilo que está à sua volta – significa deixar envolver-se” (BRASIL, 2007).

CONCLUSÕES

Através do processo de aprendizagem aplicado, os acadêmicos concluíram a necessidade de formular planos de manejo e conservação ao córrego João Dias, a fim de restabelecer a integridade ecológica deste, uma vez que o sistema em questãose encontrafortemente afetado pela ação da agricultura indígena e pela falta de conscientização da população da cidade de Aquidauana. Diante dessas perspectivas, urgente se faz o estabelecimento e cumprimento de ações de educação ambiental com a sociedade, afim de compreenderem a relevância deste corpo hídrico para o ambiente.

REFERÊNCIAS



AZEVEDO, R. T. Sensibilização Ambiental: importância e relação com a gestão ambiental. Naturlink, 2012. Disponível em: <goo.gl/nFrQdE >. Acessado em: 06 ago. 2017.

CLEMENTS, F.E. Researchmethods in Ecology. Nebraska: UniversityPublishingCo., 1905. 512p.

DEL RIO, V.&OLIVEIRA, L. 1999. Percepção ambiental: a experiência brasileira. 2ª ed. São Paulo: Studio Nobel.

OLIVEIRA, K. A.& CORONA, H. M. P. 2008. A percepção ambiental como ferramenta de propostas educativas e de políticas ambientais. ANAP Brasil, 1: 53-72.

REIGOTA, M. Meio ambiente e representação social. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1998.

SATO, M. Educação Ambiental. São Carlos: RiMa, 2004.

TAMANINI, M. S. A. 2008. Diagnóstico físico-ambiental para determinação da fragilidade potencial e emergente da Bacia do Baixo Curso do Rio Passaúna em Araucária - PR. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Setor de Ciências da Terra, Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

TELLES, M. Q.; ROCHA, M. B. da; PEDROSO, M. L. & MACHADO, S.M. de C. Vivências integradas com o meio ambiente. São Paulo: Sá Editora, 2002.



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