ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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Prêmio: Destaques

10/03/2018CARTOGRAFIA SOCIAL ESANEAMENTO AMBIENTAL EM OLHOS D’ÁGUA -TAQUARA/RS  
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CARTOGRAFIA SOCIAL E SANEAMENTO AMBIENTAL EM OLHOS D’ÁGUA -TAQUARA/RS


Responsável pelo trabalho: Profº Ms. Sabrina Dinorá Santos do Amaral Instituição: EMEF Antônio Martins Rangel

Cidade: Taquara

Número de pessoas envolvidas:170 pessoas

Telefone e e-mail:051984680881



Eixo: Mobilização Socioambiental

Tema:Saneamento Ambiental


APRESENTAÇÃO

O presente projeto foi desenvolvido na E.M.E.F. Antônio Martins Rangel, situada na localidade de Olhos D'água. Este território é de grande importância hídrica para a região, pois por ele perpassa o Rio dos Sinos, e encontra-se a foz de grandes afluentes seus, o Rio da Ilha e o Rio Rolante, além do arroio Tucanos.

Sua proposta metodológica baseou-se na Cartografia Social, com a construção de mapas a partir da participação da comunidade de forma ativa, organizada e intencional, constituindo-se num processo de educação ambiental e mobilização social em saneamento, comprometido com mudanças estruturantes, criação coletiva de soluções e estratégias pautadas em princípios sólidos, democráticos e contextualizados às realidades locais.

Seu objetivo visou o protagonismo juvenil, a participação comunitária e a construção coletiva comprometidas com a sustentabilidade sanitária local, assim como a melhoria da qualidade de vida e saúde através de mapas sociais participativos.

Dentre suas atividades destacamos:

O Mini-curso de Cartografia Social de dimensões sanitárias para jovens formadores, teve como principal contribuição o protagonismo de 15 jovens, a partir do sentimento de pertencimento, no momento em que a valorização de suas contribuições foi a ênfase do processo, onde houve a interiorização deste e com isso, correspondendo aos objetivos do projeto.

Este protagonismo foi visível a toda a comunidade com a Oficina de Saneamento Ambiental: O olhar da comunidade local, onde toda a metodologia foi empregada pelos jovens formadores, e os mesmos mobilizaram a comunidade para estarem presentes.

A Oficina de Cartografia Social: Bacia Hidrográfica e Abordagens Didático-Pedagógicas para Educação Formal, contou com a presença de alguns jovens formadores, porém a proposta em si era mobilizar os educadores para a importância do saneamento, a partir do território, sendo este a bacia hidrográfica.

Como forma de ação participativa, o Reconhecimento de práticas, planejamento e intervenções, trouxe para a comunidade a possibilidade de materialização de conceitos construídos no mini-curso e aos jovens a possibilidade de desenvolver seu papel de formador, num contexto participativo e inovador.


IDENTIFICAÇÃO DE CENÁRIOS

"A inteireza do espírito começa por se caracterizar no escrúpulo da linguagem." RUI BARBOSA

Atuar num território requer conhecimento de suas características. Suas redes de relações, fluxos, serviços e espaços. Suas redes de relações, fluxos, serviços e espaços são elementos-chave para a proposição de ações efetivas e que conversem com as demandas reais do local.

Sendo assim, cabe aqui, reconhecer os cenários em que se apresentam as atividades desenvolvidas pelo projeto “ Cartografia Social e Saneamento Ambiental em Olhos D´água”, assim como as relações existentes entre as propostas construídas e a participação da comunidade local.


O município em que a proposta está inserida

O município de Taquara foi colonizado predominantemente por alemães. O nome da cidade se originou da cerrada vegetação de bambus que cobria as margens do Rio dos Sinos.

Conforme os dados do IBGE, em 2010, Taquara possui 54.656 habitantes, e está localizado na Encosta da Serra Geral, e distante 72 Km de Porto Alegre; 40 Km de Gramado; 48 Km de Canela; 40 Km de São Francisco de Paula; 36 Km de Novo Hamburgo e 89 Km de Tramandaí, o que ocasiona um clima subtropical onde o inverno é rigoroso.

Possui como uma de suas principais características a privilegiada localização geográfica: o município é ponto de ligação entre importantes regiões do Rio Grande do Sul, como a Serra Gaúcha, Litoral, Região Metropolitana e Vale do Sinos.

Mapa de localização e de situação geográfica – Divisão de geoprocessamento da Prefeitura Municipal de Taquara.


Atualmente, Taquara possui centenas de propriedades rurais, em sua maioria, pequenos e médios estabelecimentos agropecuários de produções diversificadas.

A forma de ocupação e uso do solo e das relações com o ambiente em muitos casos se deu de maneira desatenta e conflituosa, gerando desequilíbrios cujos efeitos passaram a ser constatados através da diminuição da produtividade dos cultivos, como consequência da degradação do solo, do aumento da incidência de insetos praga e doenças dos cultivos.

Todos estes, são também fruto do desequilíbrio das espécies e da diminuição da qualidade da água, contaminada pelo solo erodido, pelos dejetos animais e humanos, pelos agrotóxicos e outros resíduos de origem doméstica e industrial, entre outras.

Taquara é banhada por cinco rios (dos Sinos, Padilha, da Ilha, Paranhama e Rolante) e por mais 25 arroios que pertencem à bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, na Região Hidrográfica Atlântico Sul. Esta bacia abrange total ou parcialmente 32 municípios em uma área de 3.820 km2. O Rio dos Sinos é considerado o mais poluído da região. Tendo em vista a carga poluidora que atingia o rio, foi criado, por decreto governamental em 1988, o Comitê Sinos, tornando-se o primeiro comitê de gerenciamento de bacia de rio estadual no país.

Com área territorial de 458 Km², Taquara esta dividida em 6 (seis) distritos, sendo eles: Entrepelado, Fazenda Fialho, Pega Fogo, Padilha, Rio da Ilha e Santa Cruz da Concórdia.

Mapa de distritos – Divisão de geoprocessamento da Prefeitura Municipal de Taquara



A localidade e sua realidade

O distrito onde se está inserida a Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Martins Rangel chama-se Rio da Ilha, na localidade de Olho´s D’água. Este distrito também abrange as localidades de Açouta Cavalo, Alto Tucanos, Ilha Nova, Quarto Frio, Moquém, Morro Alto, Vila Teresa.

Olhos D’água é de grande importância hídrica para a região, nesta localidade encontramos o Rio dos Sinos, e nele desaguam 2 grandes afluentes, o Rio da Ilha e o Rio Rolante, além do arroio Tucanos. Pode-se se observar na imagem que segue.

Mapa distrito de Olhos D’água – Divisão de geoprocessamento da Prefeitura Municipal de Taquara


O nome da localidade, provem de suas inúmeras nascentes de água, chamadas pela população local de grandes vertentes ou olhos de onde a água brota. Trata-se de um território com inúmeros banhados, e sendo assim, berçário de inúmeras espécies de fauna e flora.

Sua fartura hídrica, possibilitou o plantio de arroz em áreas de inundação, hoje este cultivo está presente em cerca 40% da área desta localidade.


A Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Martins Rangel

A Escola Municipal Antônio Martins Rangel não tem uma data específica de fundação. Conforme relatos do diário de Pedro José Martins, genro de Antônio Martins Rangel, patrono da Escola “Alguns anos antes de 1900, Antônio adquiriu uma área de terras nesta localidade, aqui não havia escola nem estradas, então a seu pedido, junto aos poderes públicos, foi criada uma escola Estadual, que funcionou com o título de 12ª Aula Pública mista do Bom Retiro, do Município de Santo Antônio da Patrulha”.

Foi encontrado com antigos moradores desta localidade um caderno de chamadas do ano de 1914, onde as aulas eram ministradas pela Sr ª Maria Magdalena Martins, 4º professora, fato este que comprova oficialmente 99 anos de funcionamento.

Em 1959, com auxílio de diversos agricultores desta localidade a Escola ganhou uma nova sede onde é atual.

No dia 16 de março de 1975, esta unidade educacional recebeu a denominação de Escola Municipal Antônio Martins Rangel, em Homenagem ao seu idealizador nos primórdios do século passado.

Em março de 2006 a Escola passou a atender somente alunos das séries finais do Ensino Fundamental, 5ª a 8ª séries, tornando-se um polo regional. Em 2007 a Escola foi ampliada, sendo reinaugurada no dia 14 de setembro de 2007. Possui atualmente 4 salas de aula, laboratório de Informática, cozinha, sala da direção, sala de professores, biblioteca, bem como também um amplo espaço para desenvolvimento de diversos projetos na parte da tarde como: projeto Cultura Gaúcha, COM-VIDA, Projeto Peixe Dourado, projeto de dança e teatro. Possui um total de 4 turmas, pelo turno da manhã de 6º ano a 8ª série e a tarde atendemos nossos alunos e alunos do núcleo para a realização dos projetos. Atualmente temos 46 alunos, um corpo docente de 6 profissionais de educação, 1 merendeira, e 1 diretora.

Como uma expressão de sua caminhada pedagógica, a escola prioriza ações em que Pessoas Aprendem Participando, e visualizou a necessidade de se instituir num espaço que possibilitasse, não somente o enfrentamento dos conflitos em relação aos usos e abusos dos recursos hídricos e de outros recursos naturais e patrimônios ambientais da bacia do Rio dos Sinos como também gerassem demandas por políticas públicas.

Essa premissa se consolidou com a sua indicação como Pólo do Projeto de Mobilização Social do Comitesinos (Comitê de gerenciamento da Bacia Sinos) em parceria com a Petrobrás, chamado Projeto Peixe Dourado.

A atuação da escola através do Projeto Peixe Dourado se dá a partir de dois importantes eixos, sendo eles: Formação de professores para a inserção da proposta no currículo escolar e formação de monitores ambientais com fomento a ações de educação ambiental e mobilização frente a temáticas hídricas.

Através de uma coordenação local, a escola participa do Programa de Educação Ambiental do Comitesinos, e entre suas principais atividades encontra-se a oficina temática, onde é oportunizado aos coordenadores exercitarem todas as fases de elaboração e execução de projetos. Como parte inicial desta atividade, a coordenação local deve identificar e caracterizar um problema ambiental na localidade.



A CONSTRUÇÃO COLETIVA DA METODOLOGIA

Por mais que a situação atual esteja realmente ruim, deve-se lutar muito para vencer todos os obstáculos que surgem em seu caminho”. JOSÉ GUIMARÃES

O distrito onde está inserida a Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Martins Rangel chama-se Rio da Ilha, na localidade de Olho´s D’água, este é de grande importância hídrica para a região, pois nesta localidade encontramos o Rio dos Sinos, e nele desaguam grandes afluentes, o Rio da Ilha e o Rio Rolante, além do arroio Tucanos.

Como uma expressão de sua caminhada pedagógica, a escola prioriza ações em que Pessoas Aprendem Participando, e visualizou a necessidade de se instituir num espaço que possibilitasse, não somente o enfrentamento dos conflitos em relação aos usos e abusos dos recursos hídricos e de outros recursos naturais e patrimônios ambientais da bacia do Rio dos Sinos como também gerassem demandas por políticas públicas.

Para tal, optou por realizar coletivamente, nos encontros de formação dos professores e dos monitores ambientais uma pesquisa, visando reconhecer sua realidade.

Como instrumento para a pesquisa se utilizou o questionário de Agenda 21 escolar, o mesmo foi aplicado em alunos e professores, e os mesmos aplicaram na comunidade.

Monitores percorreram o espaço físico da escola e a comunidade para aplicar o DSP


Alguns aspectos analisados para o DSP na comunidade.


Dentre as questões deflagradas pela pesquisa, encontramos problemáticas pertinentes ao saneamento ambiental rural, nas temáticas de abastecimento de água, redução de nascentes, esgotamento sanitário, drenagem pluvial, controle de vetores e resíduos sólidos, e principalmente a falta de percepção da comunidade quanto a estes.

Com base no questionário, se apresentou os resultados obtidos para os envolvidos, e se realizou uma segunda pesquisa, sobre os possíveis motivos para a existência dos problemas apresentados.

A maioria dos entrevistados desconhecia os dados apresentados, e apontou como principais motivos a falta de conhecimento da comunidade sobre sua própria realidade e a falta orientações a comunidade rural, seja ela de maneira geral, ou com relação a determinadostemas, como a recuperação e correção do solo, doenças típicas de áreas rurais, reflorestamento e produção de mudas, o combate a pragas, e como lidar com o lixo, os esgotos e a água em termos de quantidade e qualidade.

Os resultados desta segunda pesquisa foram apresentados em assembleia com professores, funcionários, pais e alunos. Neste espaço se levantou possíveis propostas de intervenção na realidade apresentada, sendo consensual o mapeamento da comunidade referente às temáticas de saneamento ambiental, e a implantação de práticas e tecnologias socioambientais.

O professor Henri Acselrad, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ), explica que, na modernidade, os mapas foram elaborados originalmente para facilitar e legitimar as conquistas territoriais, definir o Estado como uma entidade espacial e construir nacionalismos pós-coloniais. A sociedade nunca teve a oportunidade de construir seus mapas, suas cartografias. As bases cartográficas e os mapas geralmente são produzidos por técnicos especializados, sob o interesse de instituições públicas e privadas (ASCERALD, 2011).

No entanto, diversas iniciativas de mapeamento que se propõem a incluir populações locais nos processos de produção de mapas disseminaram-se, em todo o mundo, especialmente a partir dos anos 1990. Assim, moradores de comunidades tradicionais ou que ocupam territórios onde existem conflitos têm produzido seus próprios mapas, retratando seu cotidiano, suas referências, numa base cartográfica (UFPA, s.d.). Por meio do mapeamento social, busca-se dar voz e visibilidade às diversas categorias sociais.

Levando em consideração o desenvolvimento do Projeto Peixe Dourado na EMEF Antônio Martins Rangel, e a importância do protagonismo juvenil tanto para a construção de novos conhecimentos, quanto para a difusão dos processos e mobilização da comunidade, a plenária da comunidade definiu que a intervenção proposta para solucionar a problemática apresentada deve ser o mote pedagógico de formação do Projeto Peixe Dourado para o ano, e que a implantação das práticas e tecnologias socioambientais devem ser desenvolvidas no espaço escolar, servindo de exemplo para estimular a população a implementá-las em suas residências.


OS RESULTADOS


O projeto coletivo apresentou como proposta metodológica a Cartografia Social com a construção de mapas baseados na participação da comunidade de forma ativa, organizada e intencional, constituindo-se num processo de educação ambiental e mobilização social em saneamento, comprometido com mudanças estruturantes, criação coletiva de soluções e estratégias pautadas em princípios sólidos, democráticos e contextualizados às realidades locais visando a construção de sociedades sustentáveis.


Sobre a Cartografia Social e seus Mapas:

Em vez de informações técnicas, o mapa social apresenta o cotidiano de uma comunidade. No mapa são colocadas localidades, rios, lagos, cemitérios, casas, igarapés, grotas – independentemente de seu tamanho ou condição. Mapea-se também mobilizações sociais, descrevendo-as e georreferenciando-as com base no que é considerado relevante pelas próprias comunidades estudadas (UFPA, s.d.; ASCERALD, 2008).

A Cartografia Social constitui-se como um ramo da ciência cartográfica que trabalha, de forma crítica e participativa, com a demarcação e a caracterização espacial de territórios em disputa, de grande interesse socioambiental, econômico e cultural, com vínculos ancestrais e simbólicos” (GORAYEB; MEIRELES, 2014).

No mapeamento social, as comunidades representam o seu mundo a seu modo. E um mapa não é algo fechado, mas um processo permanente de construção. Os dados contidos em um mapa social são definidos conforme a demanda das populações envolvidas, e que decidem sobre as temáticas que serão especializadas no mapa e como estes temas devem se cristalizar na legenda.

Em geral, são assuntos relacionados à infraestrutura comunitária, delimitação das terras, denominação dos usos diversos (conservação, caça, pesca, agricultura etc.), aspectos culturais, religiosos e míticos, e conflitos com terceiros (GORAYEB; MEIRELES, 2014).

Assim, são os próprios movimentos organizados que elaboram os croquis, narram e explicam os conflitos sociais e ambientais e contam suas histórias. Os mapas tornam-se relevantes para a identidade do grupo, à medida que exigem reflexão, generalização e seleção das informações do território e essa produção de conhecimento, que vem bem antes da preparação do produto final, é o que verdadeiramente empodera, pois viabiliza as ações de pensar, refletir, sentir, sonhar, criar e, finalmente, agir (GORAYEB; MEIRELES, 2014).

Seguindo a proposta de construção da Cartografia Social apresentada como metodologia, se apresenta três pilares de ação:

1. Produção coletiva de conhecimentos sobre a realidade local: que coleta e registra informações e percepções sobre o território, através daqueles que o conhecem melhor: alunos, moradores, quem vive, convive ou vivencia a realidade a ser retratada.

2. Planejamento participativo de Intervenção local: que organiza ações locais que facilitam a gestão integrada e intersetorial, favorecem o debate coletivo, a discussão dos problemas e recursos disponíveis e orientam quanto à priorização de problemas que se pretende enfrentar.

3. Reconhecimento, desenvolvimento e implementação de tecnologias sociais: que valoriza o conhecimento da comunidade, destacando o seu importante papel na minimização ou resolução dos problemas em saneamento, através do uso e ou criação de produtos, técnicas e métodos que se preocupam efetivamente em levar a melhoria da qualidade de vida.

Sua orientação seguiu as seguintes ações e estratégias: Um mini-curso de cartografia social de dimensões sanitárias para jovens formadores; uma oficina de mapeamento e saneamento ambiental sobre o olhar da comunidade de Olhos D´água; uma oficina de cartografia social sobre a Bacia Hidrográfica e abordagens didático-pedagógicas para educação formal; e o reconhecimento de práticas, planejamento e aplicação de intervenções em saneamento ambiental para escola.


CONCLUSÃO

Efetivar a participação social voltada para o território, se dá a partir da percepção que os atores sociais deste espaço apresentam. A busca por um tema comum como estratégia têm proporcionado inúmeras iniciativas coletivas no âmbito da Educação Ambiental para o território.

Tendo como recorte territorial, o distrito de Olhos D´Água, cenário de inúmeros conflitos climáticos, de usos, de poluição e de atores sociais, o projeto desenvolvido pela Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Martins Rangel, se constituiu como um instrumento de gestão, de educação, de intervenção e de participação coletiva para todos aqueles neste espaço co-existem.

A participação da comunidade escolar, alunos, pais, professores e moradores, desde os primeiros levantamentos, até a definição das estratégias desenvolvidas possibilitou um grande envolvimento num conjunto de ações socioambientais, que visou alcançar a salubridade ambiental por meio de água potável, coleta e disposição de resíduos sólidos, entre outros.

Este conjunto de ações, possibilitou inúmeras intervenções na realidade local, onde pôde-se perceber que, com a práticas das ações propostas, a drenagem local foi reformulada, cuidados com a caixa d´àgua, fossa, e com os resíduos orgânicos foram acentuados. Ainda ficou visível a preocupação com o acondicionamento e destino dos resíduos sólidos, com doenças relacionadas aos temas e com a preservação das nascentes, muito utilizadas como fonte de água para o consumo humano local.

Sendo assim, observa-se que o envolvimento e o entendimento de uma educação cidadã, responsável, crítica, participativa, em que cada sujeito aprende com conhecimentos científicos e com o reconhecimento dos saberes tradicionais, possibilita a tomada de decisões transformadoras, a partir do meio ambiente natural ou construído no qual as pessoas se integram. A Educação Ambiental para o saneamento avança na construção de uma cidadania responsável voltada para culturas de sustentabilidade socioambiental.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACSELRAD, Henri (org.) Cartografia social, terra e território. Rio de Janeiro, IPPUR/UFRJ, 2013.

_________(org.) Cartografias Sociais e Território. Rio de Janeiro IPPUR/UFRJ, 2008. Disponível em: <http://www.ettern.ippur.ufrj.br/central_download.php?hash=467 ab838abf48499b7dbb9f41fa3268c&id=8>

_________Sobre os usos sociais da cartografia. Disponível em:<http://conflitos ambientaismg.lcc.ufmg.br/geral/anexos/txt_analitico/ACSELRAD_Henri__Sobre_os_usos_sociais_da_cartografia.pdf>

__________ Cartografias sociais. Vídeo: entrevista com Henri Acselrad do ETTERN/IPPUR/UFRJ – parte 1. Rio de Janeiro, 2014 b. Disponível em:<https://www. youtube.com/watch?v=ZKj7mDmpyM4&feature=youtu.be>.

__________Cartografias sociais. Vídeo: entrevista com Henri Acselrad do ETTERN/IPPUR/UFRJ – parte 2. Rio de Janeiro, 2014 b. Disponível em: <http://youtu.be/Qhyuq-AuZPQ>.

ATLAS nacional do Brasil Milton Santos. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

BRANDÃO, C. R. Org. Repensando A Pesquisa Participante: São Paulo, Brasiliense, 1999.

HART, P. Narrativa, conhecimento e metodologias emergentes na pesquisa em educação ambiental. Metodologias emergentes de pesquisa em educação ambiental. Org. Galiazzi M. C. e Freitas J. V. UNIJUI, 2005.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Base de informações municipais. Rio de Janeiro, 2000. 1 CD-ROM.

KASTRUP, V. O Método da cartografia. Palestra conferida na UFES/ES, 2007.

RAMBALDI, Giacomo; MCCALL, M.K. Unidade M04U01, Módulo M01: Fatores que influenciam o Mapeamento Comunitário; in: ETTERN/IPPUR/UFRJ, Guia Para Experiências de Mapeamento Comunitário, versão livremente adaptada para o português de CTA. 2010. Training Kit onParticipatorySpatialInformation Management and Communication. CTA, Países Baixos; Rio de Janeiro, 2013.







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