ISSN 1678-0701
Número 63, Ano XVI.
Março-Junho/2018.
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Relatos de Experiências

10/03/2018A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA A CONSERVAÇÃO DA FAUNA SILVESTRE  
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A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA A CONSERVAÇÃO DA FAUNA SILVESTRE



Isabor Viana Sant’Ana Mendes¹, Sandra de Miranda Soares², Daniele Carvalho Pereira1, Ana Beatriz Alves da Silva1


¹Graduanda em Engenharia Ambiental, Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Guarus, isaborvsm@gmail.com.

²Doutora em Entomologia, Professora do Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Guarus, smsoares@iff.edu.br


RESUMO


A superexploração das espécies da fauna por meio da caça, comércio e posse ilegal de animais silvestres é uma das grandes ameaças à biodiversidade brasileira. As atividades de educação ambiental podem constituir uma importante ferramenta para a conscientização e estímulo a ações conservacionistas da fauna. Neste trabalho, objetivou-se avaliar a contribuição de atividades de educação ambiental para a conscientização de estudantes sobre a importância da conservação da fauna e do combate ao tráfico de animais silvestres. O estudo foi realizado com estudantes dos 6º e 7º anos do ensino fundamental de quatro escolas públicas do município de Campos dos Goytacazes, RJ. Em cada turma de estudantes, realizou-se dois encontros para o desenvolvimento das atividades de educação ambiental. No primeiro encontro, buscou-se esclarecer sobre as principais ameaças e a importância da fauna silvestre por meio da exibição de um vídeo sobre tráfico de animais silvestres, uma apresentação em slides e um programa demonstrativo dos efeitos da retirada das espécies dos ecossistemas. No segundo encontro, os estudantes participaram de um “quiz“ de perguntas e respostas relacionadas à temática. Para avaliar a influência das atividades educativas, foram aplicados dois questionários, um antes do início dessas atividades e outro ao final do segundo e último encontro com cada turma de estudantes. Os questionários eram compostos de questões objetivas e discursivas que permitiram a avaliação dos conhecimentos prévios dos estudantes e serviram como instrumento para a análise dos efeitos da educação ambiental na evolução do conhecimento. Na análise de 174 questionários, foi detectado um aumento significativo no conhecimento dos estudantes sobre a diferença de animais silvestres e domésticos e uma diminuição no interesse em criar animais silvestres em casa após as atividades educativas. Também foi possível detectar um avanço qualitativo nas respostas às questões discursivas nos questionários finais, com argumentações mais complexas e completas dos estudantes sobre os impactos negativos do tráfico de animais silvestres. Concluiu-se que as atividades de educação ambiental contribuíram significativamente para a evolução do conhecimento desses estudantes sobre os impactos negativos do tráfico de animais silvestres e a necessidade de conservação da fauna silvestre e, portanto, constituíram ferramenta importante na sensibilização e conscientização dos mesmos.


Palavras-chave: Tráfico de animais silvestres. Conservação da biodiversidade. Fauna

ABSTRACT


Overexploitation of wildlife species through hunting, trade and illegal possession of wild animals is one of the major threats to Brazilian biodiversity. Environmental education activities can be an important tool for raising awareness and stimulating wildlife conservation actions. The objective of this study was to evaluate the contribution of environmental education activities to the awareness of students about the importance of wildlife conservation and the fight against trafficking in wild animals. The study was carried out with students from the 6th and 7th years of elementary school at four public schools in the municipality of Campos dos Goytacazes, RJ. In each class of students, two meetings were held for the development of environmental education activities. At the first meeting, an attempt was made to clarify the main threats and importance of wildlife through the presentation of a video on wildlife trafficking, a slide presentation and a demonstration program on the effects of the withdrawal of species from ecosystems. In the second meeting, the students participated in a quiz of questions and answers related to the theme. To evaluate the influence of educational activities, two questionnaires were applied, one prior to the beginning of these activities and another at the end of the second and last meeting with each student group. The questionnaires were composed of objective and discursive questions that allowed the evaluation of students' previous knowledge and served as an instrument for the analysis of the effects of environmental education on the evolution of knowledge. In the analysis of 174 questionnaires, a significant increase in the students' knowledge about the difference between wild and domestic animals and a decrease in the interest in creating wild animals at home after the educational activities was detected. It was also possible to detect a qualitative advance in the answers to the discursive questions in the final questionnaires, with more complex and complete arguments of the students about the negative impacts of the trafficking of wild animals. It was concluded that the activities of environmental education contributed significantly to the evolution of the knowledge of these students on the negative impacts of the trafficking of wild animals and the need of conservation of the wild fauna and, therefore, constituted an important tool in the sensitization and awareness of them.


Keywords: Trafficking of wild animals. Biodiversity conservation. Fauna



1 INTRODUÇÃO


Devido a sua grande extensão territorial, o Brasil abrange várias regiões climatológicas, o que reflete em uma grande diversidade na fauna e na flora nacional, sendo muitas espécies endêmicas. Em virtude disso, o Brasil se torna um alvo em potencial para traficantes de animais silvestres (MMA, 2017).

Segundo o Art. 29 da Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, está sujeito a multa e a detenção quem “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente”. Ainda nesse mesmo artigo, a lei federal apresenta o que se deve considerar como animais silvestres brasileiros: “§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras."

O tráfico de animais silvestres é a terceira atividade ilegal do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de armas e de drogas. O Brasil participa com cerca de 5% a 15% do total mundial, chegando a estimativa de 38 milhões de animais retirados da natureza anualmente (RENCTAS, 2001).

As aves são os animais mais comuns em apreensões de tráfico no país, correspondendo a 80% do total apreendido. A preferência pelas aves é devida às suas características de cores e canto, e pelo valor que têm nos mercados interno e internacional (MOURA et al., 2012, DESTRO et al., 2017).

Uma das principais consequências negativas do tráfico de animais é a modificação no funcionamento dos ecossistemas ocasionada pela perda das funções ecológicas das espécies animais que tiveram suas populações reduzidas. Desta forma, as pessoas que possuem o hábito de criar animais silvestres em casa, acabam contribuindo para o desequilíbrio dos ecossistemas (RIBEIRO e SILVA, 2007).

Para reduzir a ameaça à fauna brasileira e combater o tráfico de animais silvestres, são necessárias medidas complementares, de caráter educacional, que promovam a mudança de atitude por parte da população em relação a caça, a captura e a posse de animais silvestres. O comércio ilegal da fauna é alimentado pela demanda de compra por parte da população. Se não houver essa demanda, essa atitude ilícita e predatória perderá sua lucratividade.

A educação ambiental diminui o “analfabetismo ambiental”, contribuindo para o processo de conscientização e a mudança de atitudes por parte da população. A falta de informações sobre os problemas ambientais leva as pessoas a danificarem o ambiente, sem ter conhecimento de sua ação nociva (LATORRE e MIYAZAKI, 2005; SKRABE e MEDINA, 2009).

O processo de conservação da biodiversidade demanda uma conscientização e o envolvimento de toda a população. A educação ambiental tem como papel desenvolver a compreensão do meio ambiente e analisar a labiríntica correlação entre os muitos elementos que compõem o ambiente, respeitando o estágio e as condições de cada região (DIAS, 2004). Desta forma, a educação ambiental surge como uma importante ferramenta contra os maus-tratos e o tráfico de animais silvestres (CARNEIRO, TOSTES e FARIAS, 2009).

A lei Nº 9.795 de 1999 diz em seu art. 2ª que a educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. ”.

No entanto, essa não é a realidade na maior parte dos estabelecimentos de ensino do país, nos quais a falta de infraestrutura dificulta o trabalho dos professores. É necessário que os poderes públicos invistam em mais recursos humanos e financeiros para que as ações de educação ambiental sejam multiplicadas e que a eficácia dessas ações seja avaliada (Maranhão, 2005).

Ações de educação ambiental realizadas nas escolas com crianças e adolescentes tendem a ser efetivas, devido à alta receptividade por parte deste público a novas informações e a maior facilidade para sensibilização e mudanças de hábitos nesta fase da vida, já que os hábitos de crianças e adolescentes não estão tão consolidados como os dos adultos (MULINE et. al., 2013).

Para Chalita (2002), a educação assume o papel de instrumento mais potente de intervenção para a estruturação de novos conceitos e consequente mudança de hábitos. Desta forma, espera-se que atividades educativas para a conscientização das pessoas da importância de manter os animais em seu habitat e preservá-los seja fundamental para a mudança comportamental e, consequentemente, para o combate ao tráfico de animais silvestres.

Neste trabalho, objetivou-se verificar a influência da educação ambiental para a conservação da fauna silvestre, mediante a conscientização de estudantes sobre a importância e as medidas necessárias para a preservação das espécies animais. As perguntam que nortearam esse estudo foram: i) Os estudantes sabem diferenciar animais domésticos de animais silvestres?; ii) Há um conhecimento sobre os efeitos negativos do tráfico de animais silvestres? iii) As atividades de educação ambiental contribuem positivamente para a ampliação do conhecimento e conscientização dos estudantes?


2 METODOLOGIA


O público-alvo desse estudo foi 555 estudantes dos 6º e 7º anos do ensino fundamental das escolas públicas situadas próximas ao Instituto Federal Fluminense Campus Campos Guarus, na cidade de Campos dos Goytacazes.

Foram realizados dois encontros com cada turma trabalhada. No primeiro encontro, foi apresentado um vídeo produzido pela ONG RENCTAS (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres) sobre os problemas do tráfico de animais silvestres, seguido de apresentação oral sobre as diferenças entre animais silvestres e animais domésticos, as consequências da posse ilegal de animais silvestres e a importância dos animais silvestres para a dinâmica dos ecossistemas.

No segundo encontro, foi realizado um jogo em formato de “quiz”, com perguntas e respostas relacionadas com os temas abordados durante o primeiro encontro. Nesse jogo, os estudantes de cada turma foram divididos em duas equipes e cada equipe sorteou alternadamente uma pergunta a ser respondida em até 15 segundos. Caso a equipe não respondesse dentro do tempo estipulado ou apresentasse uma resposta incorreta, a pergunta era transferida para a outra equipe, que também tinha 15 segundos para responder. Cada resposta correta era computada como um ponto para a equipe. Ao final do jogo, vencia a equipe que atingisse o maior número de pontos. Durante todo o jogo, o mediador buscou reforçar os conteúdos trabalhados no primeiro encontro, seja complementando as respostas dos estudantes, seja apresentando a resposta correta, caso nenhuma das equipes conseguisse responder devidamente à pergunta.

Para se realizar as análises foram aplicados dois questionários em cada turma. Um questionário foi aplicado antes de qualquer intervenção do projeto para que se pudesse avaliar os conhecimentos prévios dos estudantes. O outro questionário foi aplicado ao final do segundo encontro, após o “quiz”, para analisar se houve mudanças nas respostas e assim poder reconhecer se uma evolução dos conhecimentos sobre o tema.


2.1. Questionários


Os questionários iniciais continham oito questões, sendo quatro exclusivamente objetivas, três mistas, entre objetivas e discursivas, e uma de identificação e classificação de animais nas categorias “doméstico” e “silvestre”.

Nos questionários finais, havia as mesmas oito questões do questionário inicial e mais uma questão discursiva, em que o estudante poderia discorrer sobre os conhecimentos adquiridos com as atividades de educação ambiental, totalizando 9 questões (Ver Apêndice).

Dentre as questões presentes nos questionários, foram analisadas as seguintes:


1) Você sabe o que é um animal silvestre?

( ) sim ( ) não


2) Você sabe o que é um animal doméstico?

( ) sim ( ) não


3) Circule os animais domésticos e marque com um X os animais silvestres da figura abaixo:









4) Você acha interessante criar um animal silvestre em sua casa?

( ) sim ( ) não

7) Você sabe o que é tráfico de animais silvestres?

( ) sim ( ) não

8) Você acha que capturar animais na natureza e mantê-los em casa pode causar algum problema? Se sim, responda qual(is) problema(s) pode causar.

( ) sim ( ) não


9) O que você aprendeu com as atividades do Projeto Fauna?


2.2 ANÁLISES


Foram utilizados nas análises apenas os questionários dos estudantes que participaram dos dois encontros, o que correspondeu a um total de 174 questionários. Dessa forma, cada estudante teve duas respostas, uma antes e outra depois das atividades de educação ambiental.

Neste trabalho, optou-se por utilizar análises estatísticas para avaliar os resultados quantitativos dos questionários aplicados, por comparação de médias, para então responder as perguntas que norteiam este estudo. Também foram realizadas análises qualitativas das questões discursivas.

As questões 1, 2, 4, 7 e 8 são, segundo Marconi e Lakatos (2002), do tipo dicotômicas, “que são aquelas em que o informante escolhe sua resposta entre duas opções: sim ou não”. Para que pudessem ser calculadas as médias dessas questões, foi necessário atribuir às respostas “sim” o valor de 1 e às respostas “não” o valor de 0, uma vez que se tratam de dados nominais. Pode-se então, somar esses valores e depois dividir pelo número de respostas à questão, obtendo-se assim a média aritmética. Quanto mais próximo de 0 a média da questão, mais “não” foram marcados e, quanto mais próximo de 1, mais “sim” teriam sido marcados. Na questão 3, foi analisado a média de acertos na marcação de animais silvestres e domésticos.

As questões 1, 2 e 3 serviram para avaliar se os estudantes sabiam diferenciar animais domésticos de animais silvestres. E as questões 4, 7, 8 e 9 permitiram analisar os conhecimentos sobre os efeitos negativos do tráfico de animais silvestres. A questão 9 possibilitou avaliar quais foram os avanços nos conhecimentos obtidos com as atividades educativas, segundo os próprios estudantes.

A comparação das médias das questões 1, 2, 3, 4, 7 e 8, obtidas nos questionários iniciais e finais, e a análise qualitativa das respostas discursivas permitiram avaliar se as atividades de educação ambiental impactaram positivamente nos conhecimentos dos estudantes.

Nas análises de comparação de média foi selecionado o teste T para amostras pareadas bicaudal. A hipótese nula foi que as médias dos questionários iniciais e finais eram iguais e a hipótese alternativa, que as médias eram diferentes. O teste foi feito com um nível de significância (alfa) de 5%.


3 RESULTADOS E DISCUSSÃO


As médias de “sim”, antes e depois das atividades de educação ambiental, das questões 1, 2, 4, 7 e 8 estão representadas na Fig. 1. Existindo diferenças significativas (p<0,05) para cada uma das questões.


Figura 1-Médias de sim das questões 1, 2, 4 ,7 e 8 (±1,96 de erro padrão)


As médias de acertos na questão 3, antes e depois das intervenções das atividades de educação ambiental, estão apresentadas na Fig. 2. Com diferenças significativas (p<0,05) entres elas.



Figura 2-Médias do número de acertos obtidos pelos estudantes na questão 3 (±1,96 de erro padrão)


3. 1 ANIMAIS SILVESTRES E ANIMAIS DOMÉSTICOS


A análise das questões 1, 2 e 3 permitiu avaliar a percepção dos alunos sobre a diferença entre animais domésticos e silvestres. Conforme apresentado na Fig. 1, percebe-se um aumento significativo nas médias das questões 1 e 2. Portanto, é possível concluir que houve aumento significativo no conhecimento dos alunos sobre a diferença de animais silvestres e domésticos. Esse mesmo resultado pode ser confirmado com a análise da questão 3 (ver Fig.2), na qual percebeu-se um aumento significativo na média de acertos na classificação dos animais obtida nos questionários finais.

Saber diferenciar animais domésticos e animais silvestres é um conhecimento básico para o combate ao tráfico de animais silvestres. A falta desse conhecimento faz com que as pessoas contribuam inadvertidamente para o tráfico desses animais. Os resultados positivos das atividades educativas desenvolvidas com estes estudantes mostram que tais atividades contribuíram para o aumento desse conhecimento tão importante, corroborando com a opinião de Chalita (2002), que somente a educação ambiental pode estabelecer novos conceitos e mudanças de hábitos.


3.2 O INTERESSE EM TER OS ANIMAIS SILVESTRES


A questão 4 do questionário, “Você acha interessante criar um animal silvestre em sua casa?”, apresentou uma diminuição da média depois das intervenções do projeto.

Essa redução no interesse em criar animais silvestres em casa pode ser interpretada como uma consequência do aumento da conscientização sobre os impactos negativos da retirada desses animais da natureza para a criação em domicílio e reflete um efeito positivo das atividades de educação ambiental sobre os estudantes.

Vale citar que, durante o trabalho de educação ambiental, os estudantes relataram após os primeiros encontros, denúncias e entregas de animais silvestres feitas por seus responsáveis para o órgão fiscalizador, em especial das aves, que como foi dito por Moura et al.(2012) e Destro (2017), são as espécies que mais sofrem com o tráfico de animais silvestres.


3.3 CONHECIMENTO SOBRE O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES


As questões 7, 8, e 9 do questionário refletem o entendimento sobre o tráfico de animais silvestres. Nas questões 7 e 8, detectou-se um aumento significativo das médias, conforme pode ser visualizado na figura 1. Na análise da parte discursiva da questão 8, foi observado um aumento na complexidade das respostas. Apesar de muitos alunos apresentarem alguma noção prévia dos problemas que tal atividade pode causar, após as atividades de educação ambiental, houve um avanço qualitativo das respostas, com argumentações mais completas. Alunos que anteriormente haviam apenas citado que não era certo ter animais silvestres em casa, sem maiores explicações do motivo, passaram a explicar que essa atividade pode causar a extinção e prejudicar a natureza.

Na questão 9, presente apenas nos questionários finais, foram descritas informações que mostraram o avanço no conhecimento dos estudantes, principalmente quanto a termos específicos trabalhados durante os encontros, como o órgão responsável pela fiscalização do comércio e posse ilegal de animais (IBAMA), as penalidades aplicadas aos infratores (prisão e multa), a necessidade da denúncia para combater o tráfico de animais, entre outras expressões. Como exemplo:

  • Que só pode comprar animais silvestres em locais legalizados pelo IBAMA e que se deve denunciar o tráfico de animais”;

  • Aprendi que criar animal silvestre dentro de casa é proibido e pode levar até prisão. Se a gente ver vendendo é para ligar para o IBAMA. ”;

  • Eu aprendi o que é melhor para os animais silvestres. ”;

  • Que os animais silvestres devem viver em seu habitat natural. ”;

  • Que não deve manter os animais silvestres presos. E dar liberdade, para manter o ciclo da natureza. ”;

  • Aprendi que há uma grande diferença entre animal silvestre e o animal doméstico e que não devemos comprar animais silvestres em locais não autorizados. ”;

  • Aprendi que nós não temos o direito de tirar um animal de seu habitat natural.”.


4 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Com base nos resultados desse trabalho, foi possível detectar um avanço dos conhecimentos dos estudantes do sexto e sétimo ano do ensino fundamental com as atividades de educação ambiental. Essas atividades tiveram um resultado positivo, conseguindo agir como uma ferramenta importante na sensibilização e conscientização do público-alvo.

Verificou-se que os estudantes detinham uma consciência muito básica sobre as diferenças entre os animais domésticos e os animais silvestres, e muito pouco conhecimento sobre o que era tráfico de animais antes das atividades de educação ambiental. Após essas atividades, eles aumentaram esse conhecimento tendo como consequência a redução significativa do interesse em tê-los em casa.

É muito importante salientar que resultados mais expressivos dos impactos dos trabalhos de educação ambiental somente poderão ser vistos a longo prazo. Porém, o presente trabalho foi importante para mostrar que a educação ambiental é um importante instrumento na conscientização para o combate ao tráfico de animais silvestres e a sensibilização para a conservação da fauna.

Conclui-se que projetos de educação ambiental são importantes para a preservação do meio ambiente, atuando para que cada vez mais pessoas detenham conhecimentos e se tornem multiplicadores para toda a sociedade, mudando comportamentos culturais degradadores do ambiente.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre. RENCTAS, 2001. Disponível em: <http://www.renctas.org.br/wp-content/uploads/2014/02/REL_RENCTAS_pt_final.pdf> Acesso em: 27 de jul. 2017.

Biodiversidade Brasileira. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/biodiversidade/biodiversidade-brasileira>. Acesso em: 01 de ago. de 2017.

BRASIL. Artigo 29 da Lei Federal nº9605, de 12 de fevereiro de 1998. Presidência da República.

BRASIL. Lei Federal nº 9795, de 27 de abril de 1999. Presidência da República.

CARNEIRO, L. R. A.; TOSTES, J. M.; FARIA, A. R. G. A Educação ambiental como ferramenta contra os maus tratos e tráfico de animais silvestres. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 23, julho a dezembro de 2009, Rio Grande do Sul.

CHALITA, G. Educação: A solução está no afeto. 1ª ed. Editora Gente. São Paulo. 2001.

DESTRO, G.F.G. et al. Efforts to Combat wild animals trafficking in Brazil. Biodiversity, Book 1, Cap.16, 2012.

DIAS, G. F. Educação Ambiental-Princípios E Práticas. São Paulo, editora Gaia, 2004

FARBER, L. Estatística Aplicada. São Paulo, 4ª edição, editora Pearson, 2009.

LATORRE, D.C.P.; MIYAZAKI, S.L. O analfabetismo ambiental como agravante para o tráfico de animais silvestres. Integração. vol. 11, n. 43, p. 319-323, 2005.

LOPES, B. et al. Bioestatísticas: conceitos fundamentais e aplicações práticas. Revista Brasileira de Oftalmologia, Rio de Janeiro, vol.73, no.1, jan./fev. 2014.

MARANHÃO, M.A. Educação Ambiental: a única saída. Revista Educação Ambiental em Ação. Número 13, Ano IV, junho-agosto, 2005.

MARCONI, M. A; LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa. 5ª ed. Editora Atlas. São Paulo. 2002.

MOURA, S.G. et al. Animais silvestres recebidos pelo centro de triagem do IBAMA no Piauí no ano de 2011. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 1748, 2012.

MULINE, L.S. et al. Jogo da “trilha ecológica capixaba”: uma proposta pedagógica para o ensino de ciências e a educação ambiental através da ludicidade. R. B. E. C.T. v.6, n.2, p.183-195, 2013.

RIBEIRO, L. B; SILVA, M. G. O comércio ilegal põe em risco a diversidade das aves no Brasil. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Revista Eletrônica Ciência e Cultura, vol.59, nº.4, São Paulo, 2007.

SKRABE, E. S.; MEDINA, N.M. Um Programa De Educação Ambiental Como Ferramenta Para Enfrentar O Tráfico De Animais No Rio Grande Do Sul/Rs Através De Um Programa De Gestão Ambiental Da Fauna Silvestre. Revista eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 23, julho a dezembro de 2009, Rio Grande do Sul.











APÊNDICE


Projeto Fauna – Questionário Inicial

Nome: ________________________________ Idade:____ anos Data: __/__/2016.

Grau de escolaridade:____ ano Escola/Instituição:______________________


  1. Você sabe o que é um animal silvestre?

( ) sim ( ) não


  1. Você sabe o que é um animal doméstico?

( ) sim ( ) não

  1. Circule os animais domésticos e marque com um X os animais silvestres da figura abaixo:


  1. Você acha interessante criar um animal silvestre em sua casa?

( ) sim ( ) não


  1. Você ou sua família possui animal silvestre de estimação?

Se sim, responda qual(is).

( ) sim ( ) não


___________________________________________________________________

  1. Você compraria ou já comprou algum animal silvestre? Se sim, responda qual(is)

animal(is).

( ) sim ( ) não

___________________________________________________________________


  1. Você sabe o que é tráfico de animais silvestres?

( ) sim ( ) não

  1. Você acha que capturar animais silvestres e mantê-los em casa pode causar

algum problema? Se sim, responda qual(is) problema(s) pode causar.

( ) sim ( ) não

__________________________________________________


Projeto Fauna – Questionário Final

Nome: ___________________________ Idade:____ anos Data: ___/___/2016.

Grau de escolaridade: ____ano Escola/Instituição:________________________


  1. Você sabe o que é um animal silvestre?

( ) sim ( ) não


  1. Você sabe o que é um animal doméstico?

( ) sim ( ) não

  1. Circule os animais domésticos e marque com um X os animais silvestres da figura abaixo:

  1. Você acha interessante criar um animal silvestre em sua casa?

( ) sim ( ) não

  1. Você ou sua família possui animal silvestre de estimação?

Se sim, responda qual(is).

( ) sim ( ) não

___________________________________________________________________


  1. Você compraria ou já comprou algum animal silvestre? Se sim, responda

qual(is) animal(is).

( ) sim ( ) não

___________________________________________________________________


  1. Você sabe o que é tráfico de animais silvestres?

( ) sim ( ) não



  1. Você acha que capturar animais na natureza e mantê-los em casa pode causar algum problema? Se sim, responda qual(is) problema(s) pode causar.

( ) sim ( ) não

_______________________________________________________________

______________________________________________________________________________________________________________________________

  1. O que você aprendeu com as atividades do Projeto Fauna?

______________________________________________________________________________________________________________________________

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________




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