ISSN 1678-0701
Número 71, Ano XIX.
Junho-Agosto/2020.
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Relatos de Experiências

No. 71 - 08/06/2020
HORTAS URBANAS EM ESCOLAS E COMUNIDADES DO RIO DE JANEIRO E SUA INTERFERÊNCIA NO CONTEXTO SOCIOAMBIENTAL E ALIMENTAR DA POPULAÇÃO JOVEM  
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HORTAS URBANAS EM ESCOLAS E

COMUNIDADES DO RIO DE JANEIRO E SUA

INTERFERÊNCIA NO CONTEXTO SOCIOAMBIENTAL

E ALIMENTAR DA POPULAÇÃO JOVEM



Márcia de Fátima Inácio1 , Kátia Rodrigues de Souza2, Júlio César Lacerda Monteiro de Barros² e João Carlos da Silva³



1 Eng. Florestal, MSc Ciências Ambientais e Florestais, PhD Agronomia – Ciências do Solo, Tecnologista do Responsabilidade Socioambiental do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, email: marcia@jbrj.gov.br.

2 Graduanda em Engenharia Ambiental e Sanitária/UERJ, estagiária do Centro de Responsabilidade Socioambiental do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

3 Eng. Agrônomo, gerente de Agroecologia e Produção Orgânica da SMAC- Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro – RJ.

4 Pedagogo e MSc. em Avaliação pela Cesgranrio, Coordenador do Centro de Responsabilidade Socioambiental do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.



RESUMO



Hábitos alimentares são construídos prioritariamente durante a infância, muitas vezes a vida corrida dos pais e a ampla oferta de fast foods favorecem uma rotina alimentar pouco saudável. A implantação de hortas orgânicas em escolas públicas ou em projetos de cunho social trazem uma nova leitura para a rotina infantil. As hortas permitem o acesso dos pequenos ao consumo de alimentos saudáveis, além de introduzir conceitos de agricultura orgânica e educação ambiental. No presente trabalho são discutidas as mudanças alimentares e socioambientais de crianças e adolescentes a partir da criação de hortas na Escola Municipal Emma D´Ávila, no Projeto Florescer do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e na Comunidade do Morro da Formiga, RJ. Os resultados demonstraram que mudanças bastante positivas foram observadas em todos os locais de estudo.



Palavras Chave: Educação Ambiental, inclusão social, alimentação saudável, hortas comunitárias.



INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, a situação nutricional no Brasil passou de grave a um problema de saúde pública. A obesidade infanto-juvenil subiu 240% nas últimas duas décadas, enquanto 10,5% das crianças menores de cinco anos enfrentaram problemas de desnutrição (FERNANDES, 2005). Maus hábitos alimentares e sedentarismo são associados a diversas doenças que podem surgir ao longo de cada período da vida, infância, adolescência, fase adulta e velhice (ENES & SLATER, 2010).

Os jovens atualmente preferem alimentos de pouca qualidade, os “fast foods”, que são frequentemente relacionados a fatores de risco alimentar e doenças graves como o câncer (SERPA, 2018). Esse mesmo grupo frequentemente consome poucos alimentos considerados saudáveis, como frutas, verduras, legumes e cereais. Esta tendência, apesar de mais frequente nas regiões metropolitanas, é também observada no meio rural, independente da classe social do jovem.

Outros fatores, tais como os crescentes problemas ambientais, reforçam a necessidade de sérias discussões acerca da qualidade alimentar da população.  A poluição de rios, lagos e   águas subterrâneas, a degradação de grandes extensões territoriais e o uso indiscriminado de agrotóxicos vem gradativamente piorando a qualidade de vida em nosso planeta (SILVA & FONSECA, 2009). O que seria então uma proposta de alimento saudável, como frutas , verduras e legumes, se transforma em veneno, reforçando o papel da Educação Ambiental como ferramenta fundamental para reaproximação do ser humano com a natureza (CRIBB, 2010). O Ministério da Educação considera importante que se estabeleça novos modelos educacionais que integrem a saúde, o meio ambiente e o desenvolvimento comunitário por meio de programas interdisciplinares (FERNANDES, 2005).

Nesse contexto as hortas escolares podem se tornar uma importante estratégia pedagógica para o ensino da educação ambiental, alimentar e nutricional nas escolas. Crianças que vivem nos grandes centros urbanos são, via de regra, mais afastadas do convívio com a natureza e todo o processo de formação de uma horta, assim como o consumo dos alimentos produzidos, estimula, sem dúvida, o fortalecimento de conceitos socioambientais. São momentos de trabalho em equipe em ambientes externos, transferindo na prática conceitos de cultivo, solos, nutrição e outros.

A Gerência de Agroecologia e Produção Orgânica (GAP) da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro desenvolve o “Hortas Cariocas”, um projeto que surgiu para ocupar áreas ociosas em comunidades e em escolas da rede municipal (Figura 1). Além de popularizar o consumo de alimentos produzidos de maneira orgânica, o projeto tem um indiscutível papel integrador e educacional, contando atualmente com 42 hortas em diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro (Hortas Cariocas-RIO PREFEITURA, 2019).

No Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi criado em 1997 um projeto direcionado aos jovens das comunidades do entorno, chamado Florescer. Lá os jovens tem acesso a oficinas de arte, educação, cidadania, ecologia, cursos de jardinagem e parataxonomia. O Projeto conta também com uma horta dentro do parque, onde os alunos aprendem os princípios da agricultura e a importância das hortaliças para a saúde.

A fim de se compreender e evidenciar a importância da introdução das hortas no cotidiano de crianças e adolescentes foram realizadas entrevistas com alunos da Escola Municipal Emma D' Ávila, do Projeto Florescer no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e jovens moradores da comunidade do Morro da Formiga, locais que sediam esse tipo de projeto (Figura 2).

Figura 1 – Distribuição dos cultivos do Projeto Hortas Cariocas na cidade do Rio de Janeiro