ISSN 1678-0701
Volume XIX, Número 73
Dezembro-Fevereiro 2020/2021.
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Entrevistas

No. 73 - 03/12/2020
ENTREVISTA COM PROFESSOR RAGE WEIDNER MALUF  
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ENTREVISTA COM PROFESSOR RAGE WEIDNER MALUF PARA A EDIÇÃO DE NÚMERO 73 DA REVISTA EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO

por BERE ADAMS

Apresentação – O entrevistado desta edição é a Professor Rage Weidner Maluf, que mora em Morro Reuter, é biólogo, Ms. em botânica, e atualmente é professor na Universidade Feevale. Atua nas áreas de ecologia, botânica e educação ambiental (com projetos de extensão na Feevale) e é agroagricultor. Vamos conhecer um pouco mais das suas experiências?

Rage Weidner Maluf – Fotografia de arquivo pessoal do professor

Bere – Olá Professor Rage, é uma grande satisfação tê-lo como nosso entrevistado e, desde já, agradecemos muito por aceitar o convite para esta entrevista. Inicio te perguntando: Como surgiu o interesse pelo meio ambiente e como foi o início desta trajetória?

Professor Rage – Olá Berenice é um grande prazer, poder conversar contigo sobre uma área tão instigante. Eu diria que o meu interesse pelo meio ambiente, já iniciou quando eu era criança. Eu era um apaixonado (ainda sou) por “bichos” (não somente pets), catava casulos de borboletas, para ver estas “nascendo” na sua nova fase. Criei aranha caranguejeira, acompanhava a metamorfose dos girinos, etc. Tive sorte porque, apesar de morar em Porto Alegre, existiam grandes terrenos baldios em torno do prédio onde morava. Estes terrenos chegavam a atravessar de uma rua a outra, e ali foi o meu pátio, onde eu, meus irmãos e amigos passávamos muitas horas do dia nos divertindo. Era um terreno com muitas árvores frutíferas, então, já comecei comendo fruta do pé. O interesse pela botânica veio um pouco mais tarde, mas não muito, logo comecei a buscar mudas de plantas e cultivá-las em casa. Bom, a partir daí, dá prá se ter uma ideia da continuidade da história.

Bere – Realmente o contato com a natureza, desde a infância, é importantíssimo para que possamos nos sentir integrados ao meio. Ter uma infância assim é um privilégio, Professor Rage. E o que mais te marcou neste percurso inicial? O que te motivou?

Professor Rage – Acho que o verdadeiro biólogo já nasce biólogo. Vejo muito, nas conversas com meus alunos da biologia, que passaram por processos muito semelhantes, em relação a esta paixão, a curiosidade, o sentido da observação. Mas lembro, que o interesse pelas plantas, foi motivado, sobretudo, por um irmão mais velho que eu, o Rachid, que tinha também esta paixão pela natureza. Meus primeiros acampamentos foram com ele, eu ainda piá.

Sempre digo, quanto mais conhecemos o meio ambiente, mais aprendemos a respeitá-lo.

Bere – Você vem transformando a sua propriedade em um verdadeiro laboratório vivo de projetos e experiências. Conte-nos como está sendo este processo, de onde partiu a ideia?

Professor Rage – Isso é um sonho realizado. Quando comprei o sítio, sempre tive a intensão de tornar a área, uma área de conservação. Atualmente, fazem 23 anos que a tenho e, desde lá, uma boa parte (mais de 80%) é intocada, deixo ali, a natureza agir.

No curso de biologia, estamos sempre buscando locais para os alunos fazerem suas pesquisas. Em um determinado momento, não lembro ao certo quando, o ex-coordenador do curso, prof. Marcelo Barros, me propôs usar a área do sítio para investigações pelos alunos. E a partir daí uma quantidade de pesquisas foram realizadas ao longo dos anos. Já teve alunas e alunos trabalhando com levantamento de macrofauna edáfica (do solo), decomposição de serapilheira. Há bastante tempo uma aluna trabalhou com levantamento de aves e, agora, mais recentemente, quando a área se encontra em um avançado grau de regeneração, uma outra aluna fez um novo levantamento. E os resultados foram ótimos, pois aumentou significativamente o número de aves, no decorrer dos anos (salientando que é um grupo indicador de qualidade ambiental). Tem uma pesquisa atualmente ocorrendo, com levantamento de mamíferos. Ainda, realizamos várias saídas de campo aqui para o sítio com turmas de disciplinas do curso de biologia.

Outro projeto, que aconteceu, também, foi o de trilhas.

Recebíamos grupos de adultos e crianças para realização de trilhas em diferentes níveis de dificuldade. Nesta época, vinham grupos que faziam rapel e escalada também. Nos fundos do sítio tem um peral, com paredões de rocha. O Sítio das Canjeranas, ficou bem conhecido pelo público que aprecia este tipo de turismo, inclusive o Sítio está dentro das rotas turísticas de Morro Reuter. Fizemos concursos de fotografia, saraus, enfim, eram momentos de encontros e muitas trocas. Nossas trilhas, principalmente com as crianças, eram direcionadas a atividades, onde trabalhávamos os sentidos, a observação, a expressão da criança.