ISSN 1678-0701
Volume XIX, Número 73
Dezembro-Fevereiro 2020/2021.
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Artigos

No. 73 - 03/12/2020
A RELAÇÃO DE USUÁRIOS DO SERVIÇO DE SANEAMENTO BÁSICO COM RIOS URBANOS: O EQUÍVOCO NO COTIDIANO  
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Fonte: Elaboração própria (2019).

Esta ausência de percepção dos problemas que acometem os córregos pode advir do contato distante com o ambiente em que se vive, ou mesmo da falta de conhecimento dos impactos causados neste, o que pode dificultar a identificação dos possíveis problemas, mesmo que perto de sua residência e/ou comércio.

Apesar disso, algumas/ns moradoras/es do entorno dos córregos visitados cuidam do ambiente e constroem estruturas simples de convívio em alguns pontos, como bancos e mesas de tijolos, além de pequenas plantações de espécies vegetais ornamentais e mesmo comestíveis (como temperos), como apresentado nas Figuras 11 a 13.

Figuras 11 a 13 – Margem do córrego Monjolinho próxima ao ponto 2 de entrevista.

Fonte: Elaboração própria (2019).

Nota-se que estes ambientes são limpos e conservados por pessoas que optaram por cuidar daquele espaço, porém são poucas as pessoas realmente envolvidas desta maneira, uma vez que este espaço cultivado é pequeno.



Considerações Finais

Tendo em vista os resultados apresentados e explanados, fica evidente que as/os moradoras/es urbanas/os estão cada vez mais distantes dos ambientes naturais que estão à sua volta, principalmente com os corpos d'água. Percebe-se que o olhar das pessoas está “anestesiado” com as alterações e impactos causados nos córregos, pois, mesmo quem reside e/ou trabalha há menos de 100 metros de distância destes, não remete suas afirmações no sentido de identificar e perceber as alterações antrópicas que ocasionam severas consequências no meio natural. Os discursos são colocados muito mais nos sentidos de incômodo a resíduos depositados de maneira inadequada e irregular. Ainda, há muitas pessoas que não percebem impactos, ou mesmo não enxergam os rios e córregos no cotidiano de sua vida, literalmente afirmando que não os conhecem.

Contudo, as denúncias em torno do resíduo sólido e/ou esgoto despejado incorretamente nos rios e córregos são importantes e apontam para falhas no sistema de saneamento básico, no sentido de manter o ambiente urbano limpo, para se prevenir doenças, assim como para a necessidade do manejo de águas pluviais, que são apontadas, mesmo que indiretamente, como causas de se carrear resíduos de superfície dos pavimentos urbanos (first flush de águas pluviais) para o corpo hídrico. Devem ser feitas melhorias nestes sentidos, para que haja promoção da qualidade de vida às/aos usuárias/os do sistema, e estas/es poderem almejar melhores condições de vida e ambientais.

É fundamental, então, identificar os aspectos que desvirtuam a percepção das pessoas em relação aos rios, para que sejam pensados e planejados materiais comunicativos cada vez mais assertivos, que demonstrem os equívocos cotidianos recorrentes sobre os rios urbanos e sobre o saneamento básico, mal compreendidos pela maioria das pessoas. É preciso sensibilizar as pessoas sobre as alterações ecossistêmicas que se tornam mais profundas a cada dia, principalmente sobre os córregos urbanos, que devem ser recuperados o tanto quanto possível para próximo do natural, sob o raciocínio de causas e efeitos nas relações de seus sistemas ambientais.

Também é relevante a consideração das diversas formas de atuação e de motivação para as soluções dos problemas ambientais, as quais devem ser empenhadas individualmente e de forma coletiva no sentido de exigir melhores condições dos rios urbanos, assim com na prestação adequada dos serviços de saneamento básico, colaborando com a implementação e o aprimoramento constante de melhorias ambientais e de qualidade de vida.

É possível (re)ascender o espírito de reconhecimento e respeito pelos rios urbanos, de maneira a se praticar relações simbólicas e íntimas com os rios, estendendo-se os profundos sentimentos com respeito, admiração, religiosidade, misticidade, de saúde, de sobrevivência, de conservação e de lazer também às/aos cidadãs/os urbanas/os, para que estas/es se conectem com o ambiente à sua volta, e se vejam como parte influente e intrínseca deste ecossistema tão interligado, influente e importante para vida urbana.



Agradecimentos

À FAPESP pelo substancial apoio à pesquisa de iniciação científica que me proporciona frutos de aprendizados constantes. À UFSCar e ao DCAm pela formação que me encanta e me motiva e ao Prof. Dr. Frederico, por todos os ensinamentos prestados.

Processo nº 2018/07585-8, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de responsabilidade do(s) autor(es) e não necessariamente refletem a visão da FAPESP”.



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