ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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11/09/2017CAPOTERAPIA COMO MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DE GRUPOS DA TERCEIRA IDADE  
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CAPOTERAPIA COMO MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DE GRUPOS DA TERCEIRA IDADE

 

Danielle Barbosa Santos1,9, Tony César de Sousa Oliveira2, Mikaely Soares Lima3, Wilson Lucas de Carvalho4, Pietro Rodrigo Almeida e Sousa5, Laiane Vieira Landim Moraes6, Vanessa Fernanda da Silva Sousa2, Francisco Daniel Leal Sousa7,Lívia Augusta César da Silva8

1Especialista em Saúde da Família, 2 Mestrandos em Desenvolvimento e Meio Ambiente, 3Especialista em Terapia Intensiva, 4Graduado Bacharelado em educação física CREF/confef – 000340-P/PI, 5Especialista em Docência Superior, 6 Especialista em Fisiologia do Exército, 7 Mestre em Saúde da Família, 8 Mestranda em Saúde da Familia, 8 E-mail para correspondência: danielleprof79@gmail.com

 

RESUMO

A Capoterapia baseia-se no aspecto lúdico como forma de adesão da atividade física pela comunidade idosa. O objetivo do trabalho foi analisar a percepção dos participantes de capoterapia em Teresina, Piauí acerca dos benefícios dessa atividade para a melhoria da qualidade de vida. A pesquisa de caráter exploratório, com abordagem qualitativa, realizada através de entrevistas estruturadas e o tratamento dos dados foram através do programa SpSS 20. Pode-se constatar que essa atividade como atividade contribui para a melhoria de diversos aspectos da vida dos idosos.

Palavras-chave: Atividade. Longevidade. Saúde. Terceira Idade.

ABSTRACT

Capoterapy is based on a ludic aspect as a source of adherence of physical activity by the elderly community. The objective of this study was to analyze the perception of capoterapia participants in Teresina, Piauí about the benefits of this activity to improve the quality of life. Exploratory research, with a qualitative approach, carried out through structured interviews and data processing was through the SpSS 20 program. It can be observed that this activity as an activity contributes to the improvement of several aspects of the life of the elderly.

Keywords: Activity. Longevity. Third Age.

INTRODUÇÃO

            O Brasil já conta com uma média considerável de 23,5 milhões de brasileiros com 60 ou mais, maior que o dobro registrado em 1991, quando a faixa etária contabilizava 10,7 milhões de pessoas (FERREIRA et al., 2015). A previsão é de que em 2030 esse grupo representará 18,6% da população brasileira (IBGE, 2013).

            Diante desse prognóstico, tem-se a necessidade de averiguar melhor o processo de envelhecimento, pois para Bonsdorff et al., (2011) na medida que o indivíduo envelhece ele perde sua capacidade funcional e consequentemente a qualidade de vida. O aumento da longevidade  leva à ocorrência das doenças crônico-degenerativas, que estão relacionadas intimamente aos hábitos de vida. Por esta razão, a prática regular de atividade física contribui positivamente na saúde, capacidade funcional e na qualidade de vida dos idosos (SARDINHA et al., 2011).

            Observa-se na prática de atividade física, fundamental em todas as fases da vida, como uma ferramente de melhoria de qualidade de vida na terceira idade, pois essa ajuda na melhoria da aptidão física e da saúde, além da manutenção da massa muscular, possibilitando ao idoso uma maior autonomia funcional e realização das atividades diárias (LACOURT; MARINI, 2006).

            Sardinha et al, (2011), relatam que a prática regular de atividade física reabilita o idoso para exercer suas atividades cotidianas; melhora a atividade cardiorrespiratória, a autoestima, força muscular, flexibilidade, atividades cognitivas e depressão.           Benedetti et al., (2008) apontam ainda que, a participação de idosos em atividades leves e moderadas pode retardar os declínios funcionais do envelhecimento. Sendo uma dessas atividades propostas para idosos, a Capoterapia, uma vertente da capoeira criada em Brasília (SARDINHA et al., 2011).

            De acordo com Lima, (2009), a Capoterapia é definida como uma modalidade lúdica com movimentos adaptados a partir da gestualidade da capoeira. Respeitando o ritmo e a intensidade adequada ao publico que a prática. Os elementos capoeirísticos utilizados para compor tal atividade são: A ginga, as noções básicas da esquiva, os cânticos de capoeira, a roda e a ausência de saltos e golpes mais contundentes.

            As vivências de lazer constitui um importante elemento da Capoterapia, onde o idoso sente prazer e satisfação, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida  (PRAZERES et al., 2016). Diante do exposto, o estudo propôs identificar os benefícios proporcionados pela Capoterapia na terceira idade do Centro de Saúde Pedro Arupe em Teresina-PI.

MATERIAL E MÉTODO

            A pesquisa foi realizada com participantes do Grupo de Capoterapia do Centro de Saúde Pedro Arupe, em Teresina, estado do Piauí. O estudo teve uma abordagem exploratória, descritiva, retratando as percepções comuns entre as pessoas envolvidas pesquisa, especialmente na condição de objeto-sujeito (MARQUES et. al., 2006).

            A coleta de dados foi feita através de semi-estruturada, com questões abertas, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), baseado na primícia de que serão guardados a identidade dos participantes.

            Os dados foram organizados no programa estatístico SpSS 20 onde os mesmos foram submetidos à análise descritiva de acordo com os parâmetros da estatística frequência. Para as variáveis aleatórias contínuas foi utilizado o teste T de Student, com Intervalo de Confiança (IC) de 95% e significância em p<0,05. Todas as avaliações estatísticas foram de acordo com a disposição dos dados e apresentação dos grupos.

 

RESULTADOS

            O maior índice de participantes dessa atividade foram Mulheres com (93,2%), e 6,8% de homens. A média de idade dos participantes foi de 71,7 anos (± 0,44), e não se observou diferença significativa entre as idades dos dois gêneros  (Gráfico 1). Isso mostra que o processo de envelhecimento no Brasil vem acontecendo um processo de feminização, esse processo vem aumentando desde a década de 80, onde existe o número absoluto de mulheres idosas, quando comparado ao de homens idosos  (FREIRE; TAVARES,2006). O aumento da participação feminina é um bom indicativo na melhoria de qualidade de vida desse público, uma vez que a atividade física reduz com o aumento da idade e é menor entre as mulheres que entre os homens (PITANGA; LESSA, 2005).

Gráfico 01: Idades (anos) dos indivíduos avaliados, no total e distribuídos por gêneros. Legenda: p para o teste One-Way ANOVA, como IC 95% e significância em p<0,05. Teresina, 2017.

Fonte: Santos et al., 2017

            A tabela 2 mostra as principais Doenças Crônicas que os participantes possuem. Observou-se que a Hipertensão é a doença predominante entre os participantes com cerca 96,6%, essa é uma das doenças que mais acomete as pessoas no mundo, por isso é considerada um problema de saúde pública em âmbito mundial, além de ser um importante fator de risco para complicações cardíacas e cerebrovasculares  (KAPLAN, 1992; WHO, 2011). Sendo a capoterapia uma excelente atividade para o controle dessa doença, pois como relata Monteiro e Sobral Filho (2006), essas atividades ocasionam uma gama de respostas fisiológicas, que melhoram o sistema cardiovascular, sendo portanto consideradas como um tem importante papel como elemento não medicamentoso para o seu controle paralelo ao tratamento farmacológico.

Tabela 02: Avaliação dos dados  patológico declarado dos indivíduos avaliados. Teresina, 2017.

 

Doenças crônicas

n

%

p

 

 

 

 

Hipertensão

57

96,6%

<0,001***

 

Diabetes

1

1,7%

 

Problemas renais

1

1,7%

 

Não declarados

2

3,4%

Legenda: n, frequência absoluta; %, frequência relativa; P para o teste de Pearson Qui-quadrado com IC 95% e significância em p<0,05. Fonte: dados originais.

Fonte: Santos et al., 2017

            Ao comprar o quadro antes e depois de se praticar a capoterapia, pode-se observar uma melhoria significativa na qualidade de vida desses praticantes (Tabela 3). Fernandes et al (2013) concluíram em seu estudo que a atividade física, em qualquer que seja o seu estilo, influencia na redução dos níveis pressóricos do idoso, além de ocasionar uma melhoria do estilo de vida dessa indivíduo. Portanto a capoterapia está auxiliado na manutenção da qualidade de vida desses idosos.

Tabela 03: Avaliação dos dados sócios demográfico e patológico declarado dos indivíduos avaliados. Teresina, 2017.

VARIÁVEIS  

n

%

p

Satisfação que você sente nesses aspectos desde que você começou a praticar a capoterapia

 

Sentimento de felicidade total

59

100,0%

<0,001***

 

Auto estima elevada

59

100,0%

 

Sentimentos de gratidão

58

98,3%

 

Estado de humor geral

58

98,3%

 

Melhora da saúde global

58

98,3%

 

Sentimentos de não solidão

55

93,2%

 

Satisfação com a vida em gera

28

47,5%

 

Sentimento de popularidade

13

22,0%

Como você se considerava antes de praticar a capoterapia de acordo com a satisfação sentida em um desses aspectos

 

Ansioso

55

93,2%

<0,001***

 

Solitário

27

45,8%

 

Deprimido

24

40,7%

 

Estado funcional comprometido

17

28,8%

 

Insatisfeita com a vida

8

13,6%

 

Estado neurológico comprometido

6

10,2%

 

Saúde global comprometida

0

0,0%

Legenda: n, frequência absoluta; %, frequência relativa; P para o teste de Pearson Qui-quadrado com IC 95% e significância em p<0,05. Fonte: dados originais.

Fonte: Santos et al.,  2017

            Esses resultados também foram encontrados no trabalho de Gomes et al., (2014) onde os praticantes dessa atividade, descreveram uma melhoria na autoestima, realização de atividades diárias, redução do consumo de medicamento, melhoria na saúde e interesse pela vida. Isso se dar segundo os autores, pois a capoterapia é uma atividade coletiva que além de proporcionar uma revitalização da saúde, também se torna um elo afetivo entre pessoas e sociedade.

            Um outro resultado que foi encontrado nesse estudo foi a melhoria da memória desses indivíduos (Gráfico 2). Resultado semelhante ao trabalho Ricarte e Silva (2014), que ao analisarem a melhoria da memória em participantes de capoterapia, constataram uma melhoria na capacidade cognitiva e desenvolvimento mental.

Gráfico 03: Avaliação dos índices declarados anamnésico dos indivíduos avaliados. Legenda: p para o teste One-Way ANOVA, como IC 95% e significância em p<0,05. Teresina, 2017.

Fonte: Santos et al.,  2017

            Pessoas fisicamente ativas se tornam menos propícia a uma perda da capacidade cognitiva em períodos mais avançados da vida, portanto, essas atividades são consideradas excelentes ferramentas para a amenizar os efeitos do envelhecimento, incluindo os declínios de memória e qualidade de vida. (BENEDETTI et al., 2008; CORDEIRO et al., 2014).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Pôde-se constatar com essa pesquisa que a capoterapia oferecidas ao grupo de pesquisa proporciona grande satisfação aos seus praticantes, visto que os mesmos demonstram, através de suas repostas, que sentem melhoras físicas e psicológicas, pois o grupo é também um ponto de encontro entre os praticantes. Sendo portanto aos profissionais que trabalham com esse público, e que deseja oferecer um trabalho de qualidade a toda a população, uma excelente alternativa, pois alia, como demostrado, essas atividades contribuem enormemente para a manutenção da saúde destas pessoas.

           

 

REFERÊNCIAS

 

BENEDETTI, T. R. B.; BORGES, L. J.; PETROSKI, E. L.; GONÇALVES, L. H. T. Atividade física e estado de saúde mental de idosos. Rev Saúde Pública v. 42, p. 302-307, 2008.

CORDEIRO, J.; DEL CASTILLO, B. L.; FREITAS, C. S.; GONÇALVES, M. P . Efeitos da atividade física na memória declarativa, capacidade funcional e qualidade de vida em idosos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (UnATI. Impresso), v. 17, p. 541-552, 2014.

FERNANDES, N. P.; BEZERRA, C. R. M.  SILVESTRE NETO, J. ; BATISTA, V. L. M.; PEDROSA, C. C. L. M. A PRÁTICA DO EXERCÍCIO FÍSICO PARA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA E CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL NA TERCEIRA IDADE. Revista de Ciências da Saúde Nova Esperança , v.11, n.3, p. 60-66, 2013.

FERREIRA, C. F. S.; COSTA, C. S. ; MATOS, A.P. ; SOUSA, F. L. A “parede” da intersetorialidade: relato de experiência no serviço de convivência do idoso Sanare (Sobral) , v. 14, p. 104, 2015.

FREIRE, J. R. R. C.; TAVARES, M. F. L. A promoção de Saúde nas instituições de longa permanência: uma reflexão sobre o processo de envelhecimento no Brasil. Revista brasileira de geriatria e gerontologia, v. 9, p. 83-92, 2006.

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LIMA, M. C.A ginga dos mais vividos. Brasília: Mano Lima, 2009.

MONTEIRO, M. F.; SOBRAL FILHO,  D. C. Exercício físico e o controle da pressão arterial, Rev Bras Med Esporte, v. 10,  n.º 6, p.513-516, 2004.

PRAZERES, M. M. V. ; MENDES, M. T. ; SOUSA, I.R.C. ; MAZOCANTE, R.P. ; Maciel, D.G. ; RIBEIRO, C. ; FRANCA, N. M. ; SAMPAIO, T. M. V. . Capoterapia como lazer e atividade física lúdica para idosos: uma percepção dos capoterapeutas.. Licere (Centro de Estudos de Lazer e Recreação. Online), v. 19, p. 320-340, 2016.

PITANGA, F. J. G.; LESSA, I. Prevalência e fatores associados ao sedentarismo no lazer em adultos. Cad Saúde Pública. v. 21, n.3, p. 870-877,  2005.

RICARTE, K. M. P. ; SILVA, N. A. . Prevalência da memória de idosos que participam da capoterapia na cidade de Picos-PI. In: GRANGREIRO, D C; AZAR, G. S.; PESSOA, W. R. L. S.. (Org.). Pesquisas no semiárido piauiense. 1ed.Curitiba-Paraná: CRV, 2014, v. I, p. 179-194.

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