ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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11/09/2017IMPLEMENTAÇÃO DE PRÁTICAS DE MANEJO AMBIENTAL NUMA PROPRIEDADE RURAL DE BASE FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE MARI, PARAÍBA  
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IMPLEMENTAÇÃO DE PRÁTICAS DE MANEJO AMBIENTAL NUMA PROPRIEDADE RURAL DE BASE FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE MARI, PARAÍBA

 

Jocélio dos Santos Araújo1*,

Rosane Claudia Rodrigues1,

Michelle Oliveira Maia Parente1,

Henrique Nunes Parente1,

Maria Valdirene Ferreira Araújo2,

Glennda Carvalho Vaz3,

Karliane Machado de Castro3,

Klara Cunha de Menezes3,

Lindykeila Ferreira Reinaldo3,

Mirla Silva Montteles3,

Renata Santos Coutinho3,

 Tamires Ferreira Reinaldo3

 

1 Doutores em Zootecnia. Docentes da Universidade Federal do Maranhão/Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Campus de Chapadinha.

2 Licenciada em Letras pela Faculdade do Baixo Parnaíba, Chapadinha-MA.

3 Graduandas em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal do Maranhão/Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Campus de Chapadinha.

* Autor para correspondência: jocelios@yahoo.com.br. UFMA/CCAA. Rod. BR 222, Km 04, Bairro: Boa Vista. 65500-000. Chapadinha-MA. Fone/fax: (98) 3471-1201

 

RESUMO

Avaliou-se a implantação de práticas de gestão ambiental numa propriedade rural de base familiar. Os agricultores já iniciaram algumas práticas de gestão ambiental, todavia sem qualquer gestão administrativa, porém as ampliações dessas atividades esbarram na falta de assistência técnica e apoio do poder público

Palavras-chave: Educação ambiental, gestão ambiental, sustentabilidade na agropecuária.

 

ABSTRACT


It was evaluated the implementation of environmental management practices in a family-owned rural property. Farmers have already started some environmental management practices, however without any administrative management, but the extensions of these activities run counter to the lack of technical assistance and support from the public authorities

Keywords: Environmental education, environmental management, Sustainability in agriculture.

 

1. INTRODUÇÃO

Tradicionalmente, a agricultura de base familiar brasileira tem se caracterizado pelo baixo nível tecnológico, baixa produtividade, atendo-se exclusivamente a subsistência e a práticas de manejo inadequado nos diferentes sistemas de produção, aliando-se a resistência de adoção de novas tecnologias para tornar-se um empreendimento rural capaz de viabilizar-se de forma economicamente eficiente, socialmente justo e ambientalmente correto. Segundo Batalha et al. (2005, p.1) o baixo nível tecnológico dos agricultores familiares brasileiros não pode ser explicado apenas pela falta de tecnologia adequada; ao contrário, em muitos casos, mesmo quando a tecnologia está disponível, esta não se transforma em inovação devido à falta de capacidade e condições para inovar.

Não é difícil constatar a falta de gestão, tanto administrativa quanto ambiental nestas pequenas propriedades rurais tais como: ausência de planilhas e dados dos rebanhos, dos insumos, das vendas, da gestão de pessoas, do descarte das embalagens de defensivos agrícolas, desperdícios de água, inadequação do destino do lixo produzido, etc. comprometendo até mesmo a sua subsistência como pequeno produtor rural. É imprescindível ter gestão, independente do tamanho da propriedade, embora envolvam outros segmentos complexos as gestões administrativas e ambientais norteiam decisões tornando o empreendimento sustentável. Segundo Mazzoleni & Nogueira (2006 p.265), agir de forma sustentável é estudar, planejar e implementar ações pensando no hoje e no amanhã, abordando os aspectos econômicos, sociais e ambientais, respeitando as diferenças culturais. Sendo assim, algumas tecnologias podem mitigar esses impactos, entre elas a utilização de biodigestores para o aproveitamento dos dejetos e geração de energia rural, a compostagem de dejetos sólidos e líquidos, a coleta seletiva de lixo, o reuso da água, bem como a utilização de produtos e coprodutos oriundos da agricultura na alimentação animal e de compostagem de dejetos orgânicos par fertilização do solo.

A falta de gestão, tem causado prejuízos econômicos, sociais e ambientais, resultando em êxodo rural, contaminação de águas superficiais e subterrâneas, degradação do solo, poluição do ar, diminuição da fauna e flora nativa. Em que pese os esforços em pesquisas a adoção de práticas ambientais em pequenas propriedades rurais devem ser atraentes aos que fazem esse segmento rural com equidade econômica e social. É notório que os pequenos produtores rurais, em sua maioria não vislumbram as potencialidades que tem suas propriedades em aproveitar aquilo que está sendo desperdiçado, com adoção de tecnologias já existentes e reeducação ambiental, com o intuito de incrementar a renda e melhorar a gestão do empreendimento para futuras tomadas de decisões.

Com isso, é imprescindível levar em conta a heterogeneidade e peculiaridade que caracteriza a agricultura de base familiar, tornando ainda mais necessária e complexa a adequação dos instrumentos e as ações às características do setor e dos produtores. Diante dessa realidade e das dificuldades na viabilização econômica dos pequenos empreendimentos rurais objetivou-se implantar algumas práticas de manejo ambiental numa propriedade rural de base familiar no município de Mari, no Estado da Paraíba.

2. METODOLOGIA

O presente estudo foi desenvolvido numa propriedade rural de base familiar, com área total de 11,0 hectares, denominada Granja Shalon, situada a 143 metros de altitude, com as seguintes coordenadas geográficas: Latitude de 7o 3’ 36” Sul, Longitude de 35o 19’ 40” Oeste; no município de Mari, na Mesorregião da Mata Norte Paraibana, Microrregião de Sapé, no Estado da Paraíba.

A pesquisa foi realizada através de uma abordagem qualitativa conforme preconizado por Strauss & Corbin (1990), onde foram aplicados questionários abrangendo algumas concepções e abordagens envolvendo a educação ambiental da família que mora na propriedade, como também foi utilizada uma entrevista não estruturada  com os moradores com o intuito de identificar os principais aspectos legais que dizem respeito às propriedades rurais nas esferas local, estadual e federal, tais como: a Política Nacional de Meio Ambiente, legislação de recursos hídricos, de agrotóxicos, Código Florestal, resíduos sólidos, licenciamento ambiental (Seidel & Foleto, 2008), bem como, quais as principais fontes e agentes de informações que persuadem para adoção de práticas de gestão ambiental.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Analisando os dados obtidos, é possível caracterizar o perfil dos agricultores da propriedade rural, onde são compostos por sete pessoas, cujo genitores possuem apenas o ensino fundamental incompleto, porém com todos os filhos estudando na zona urbana, onde um deles possui o ensino médio completo e o outro está no último ano desse nível de ensino, os demais estão cursando o ensino fundamental. As principais atividades econômicas desenvolvidas na propriedade são de subsistência com as criações de galinhas caipiras, suínos, caprinos, ovinos e bovinos, com plantios de pasto e capineiras de cana-de-açúcar para alimentação animal, além de plantio de coco, tornando as atividades bem diversificadas. A propriedade é oriunda de bens advindos da família dos genitores (herança) e não pertencentes a assentamento rural e/ou qualquer outro programa governamental.

Observar-se que os moradores da propriedade não tinham conhecimentos dos aspectos legais e das políticas públicas envolvendo o meio ambiente no âmbito das propriedades rurais, tais como a Política Nacional de Meio Ambiente, legislação de recursos hídricos, de agrotóxicos, Código Florestal, resíduos sólidos, licenciamento ambiental, conhecendo apenas a obrigatoriedade da declaração do ITR (Imposto Territorial Rural) declarado anualmente ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), além de conhecimentos básicos quanto a reciclagem de produtos como garrafas pet, sacolas plásticas e queimadas, conhecimentos estes, obtidos principalmente através de programas de televisão. A maiorias das informações práticas de educação ambiental são observadas apenas nos dois filhos mais velhos, essa análise provavelmente reflete alguns assuntos abordados na escola de ensino médio da zona urbana onde os mesmos estudavam.

Embora na propriedade não foi detectada nenhuma planilha e/ou anotações que permitam gerenciar a propriedade como um empreendimento rural o produtor sabe da importância do mesmo, porém reluta em aplica-lo, externando que é uma pequena propriedade e que não pode se tornar uma empresa já que tem a concepção que empresa é caracterizada por grandes empreendimentos. Todavia quanto a adoção de práticas de educação ambiental, observa-se que gradativamente o produtor vem mudando seus hábitos e já se encontram na propriedade alguns exemplos de educação ambiental conforme podem ser observados nas figuras 1 e 2.

Figura 1 – Aproveitamento de dejetos da suinocultura.

Analisando as figuras 1 e 2, constata-se que o produtor procura reutilizar os dejetos oriundos da atividade de criação de animais, não descartando diretamente no meio ambiente sem qualquer tratamento prévio, aproveitando também os resíduos da agricultura para confecção de camas para o conforto dos animais e economia de água, com o objetivo de melhorar o desempenho produtivo da atividade agropecuária e não desperdiçar água, já que esta é proveniente de um poço tipo amazonas e não tão abundante na propriedade. Constatou-se também o uso do esterco de bovinos e caprinos produzidos na propriedade e aplicados na pastagem. Essas práticas refletem uma mudança de paradigmas na educação ambiental, onde os agricultores têm alguma percepção benéfica dessas atividades na propriedade rural.

Figura 2 – Aproveitamento de resto de cultura para confecção de cama para suínos.

Segundo Higuchi & Azevedo (2004, p.64) é importante compreender como as pessoas pensam, aprendem e agem no meio em que vivem. Um dos pontos principais é ter conhecimento sobre a percepção que as pessoas têm do mundo, das coisas e das outras pessoas. Já Reigota (1994) alerta que a prática da educação ambiental depende da concepção das pessoas sobre meio ambiente, para então podermos iniciar um programa de construção de conhecimento que fomente a necessária modificação de valores e condutas pró-ambientais, de forma crítica e responsável.

Outra prática importante adotada na propriedade é o destino dos dejetos dos suínos, que embora em pouca quantidade pode se tornar um potencial poluidor do meio ambiente, porém o produtor adotou a prática da fertirrigação, procurando utilizar os dejetos produzidos pelos suínos na capineira de cana-de-açúcar (Figura 3).

Figura 3 – Prática da fertirrigação na capineira de cana-de-açúcar.

 De acordo com Higuchi & Azevedo (2004, p.69-70) a educação ambiental deve trabalhar e estimular as habilidades individuais e munir o indivíduo com habilidades sociais que permitam ações coletivas na busca da cidadania ambiental, pois segundo Zakrzevski (2004, p. 81) a educação ambiental é uma complexa dimensão da educação, caracterizada por uma grande diversidade de teorias e práticas, não pode ser entendida no singular. Embora a implantação de algumas práticas de gestão e educação ambiental seja uma pequena realidade na propriedade a maioria desses conhecimentos são oriundos de programas de televisão como globo rural e de sugestões advindas dos filhos mais velhos dos proprietários, todavia, constatou-se total ausência do poder público tanto na assistência técnica e extensão rural, o que dificulta a ampliação das práticas de gestão ambiental.

4. CONCLUSÃO

Os agricultores já implantaram algumas práticas de gestão ambiental na propriedade, todavia sem qualquer gestão da mesma como empreendimento rural, porém as ampliações e adoções dessas atividades esbarram na falta de assistência técnica e extensão rural com total ausência do poder público.

5. REFERÊNCIAS BIBIOGRAFICAS

BATALHA, Mário Otávio; BUAINAIN, Antônio Márcio; SOUZA FILHO, HM de. Tecnologia de gestão e agricultura familiar. BATALHA, M. O e FILHO, HM de S (org). Gestão Integrada da Agricultura Familiar. São Carlos. EdUFSCar, 2005. Disponível em: http://sober.org.br/palestra/12/02O122.pdf. Acesso em: 12 jan. 2017.

HIGUCHI, Maria Inês Gasparetto; AZEVEDO, GC de. Educação como processo na construção da cidadania ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental, Brasília, n. 0, 2004, p. 63-70.

MAZZOLENI, Eduardo Mello; NOGUEIRA, Jorge Madeira. Agricultura orgânica: características básicas do seu produtor. Rev. Econ. Sociol. Rural,  Brasília ,  v. 44, n. 2, p. 263-293,  Jun  2006 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20032006000200006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em:   19  mai.  2017.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20032006000200006.

REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1994.

SEIDEL, Roberto Vergílio; FOLETO, Eliane Maria. Propostas de ações em educação ambiental visando a efetivação da legislação ambiental em áreas rurais no município de Santa Maria–RS. GEOGRAFIA (Londrina), 2008, vol. 17, no 1, p. 43-72. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/viewFile/5457/4966. Acesso em: 03 mai. 2017.

STRAUSS, Anselm; CORBIN, Juliet. Basics of qualitative research. Vol. 15. Newbury Park, CA: Sage, 1990.

ZAKRZEVSKI, Sônia Balvedi. Por uma educação ambiental crítica e emancipatória no meio rural. Revista Brasileira de Educação Ambiental, 2004, vol. 1, p. 79-86.



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