ISSN 1678-0701
Número 61, Ano XVI.
Setembro-Novembro/2017.
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11/09/2017ETNOBOTÂNICA E SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL RESGATANDO A UTILIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS NA SAÚDE PÚBLICA  
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 ETNOBOTÂNICA E SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL RESGATANDO A UTILIZAÇÃO DE  PLANTAS MEDICINAIS NA SAÚDE PÚBLICA

 

Janaina Vital de Albuquerque1; Joélia Natália Bezerra da Silva¹; Aldenice Correia Lacerda1 ; Magda Suzana Neri ²

 

1 Mestrandas do Programa de Pós-Graducação em Desenvolvimento em Meio Ambiente- PRODEMA, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.  Av. da Arquitetura, s/n - Cidade Universitária - Recife – Pernambuco – Brasil. CEP: - 50.740- 550; 2 Graduada em administração com habilitação em gestão de negócio - Faculdade Santa Helena - FSH . Rua Demócrito de Souza Filho, 452 - Madalena - Recife - PE - Brasil. CEP 50610-120

 

RESUMO

 

A utilização de métodos fitoterápicos, é de fundamental importância não só no parâmetro social, mas tendo em vista o preencher as necessidades práticas e resgate cultural quase perdido.   Sendo assim, esse trabalho objetivou avaliar a credibilidade e a aceitabilidade das plantas medicinais no Gurugi, em um bairro periférico da cidade de Conde, Paraíba, Brasil. Além de categorizar os entrevistados segundo sexo e idade, a fim de inferir se estes parâmetros influenciam na tomada de decisão do uso ou não das plantas medicinais; identificar a porcentagem da população que faz uso de plantas medicinais, bem como quais são as plantas comumente usadas e quais são os principais problemas de saúde tratados por esta população, e por fim verificar a aceitação da implantação do fornecimento de fitoterápicos pela Unidade Básica de Saúde local, nos Postos de saúde da Família. Foram entrevistados 40 moradores da comunidade quilombola. A media de idade era dentre 17 até 89 anos.  Com base na pesquisa evidenciou-se 22 espécies com maior relevância na utilização, dentre elas destacando-se a babosa, barbatimão, folha do caju e broto da goiabeira. Portanto vê-se que grande parte das plantas nativas brasileiras ainda não têm estudos para permitir a elaboração de monografias completas bem como o entendimento de toda a sua função como fármaco.

 

Palavras-chave: Conheciemnto popular; etinobotânica; Plantas medicinais.

 

 

ABSTRACT
 
The use of herbal methods is of fundamental importance not only in the social parameter, but in order to meet the practical needs and almost lost cultural rescue. Thus, this work aimed to evaluate the credibility and acceptability of medicinal plants in the Gurugi, in a peripheral neighborhood of the city of Conde, Paraíba, Brazil. In addition to categorizing the interviewees according to sex and age, in order to infer if these parameters influence in the decision making of the use or not of the medicinal plants; Identify the percentage of the population that uses medicinal plants, as well as which are the plants commonly used and what are the main health problems treated by this population, and finally verify the acceptance of the implantation of the supply of herbal medicines by the Basic Health Unit In the Family Health Posts. 40 inhabitants of the quilombola community were interviewed. The mean age was between 17 and 89 years. Based on the research, 22 species with greater relevance in the utilization were evidenced, among them the aloe, barbatimão, cashew leaf and guava shoot. Therefore, it is seen that most Brazilian native plants do not yet have studies to allow the elaboration of complete monographs as well as the understanding of all their function as a drug.
 
Keywords: Popular knowledge; Ethinobotany; Medicinal plants.

INTRODUÇÃO

 

As plantas são fontes importantes de moléculas biologicamente ativas que podem ser utilizadas não apenas como modelo para a síntese e obtenção de novos fármacos, mas também como uma nova possibilidade de intervenção terapêutica (SCHENKEL et al, 1999). Nos últimos anos a utilização de fitoterápicos aumentou em todo o mundo.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 80% da população mundial faz uso de algum tipo de erva na busca de alívio de dores ou desconfortos no corpo, desses 80% menos de 30% deu-se por indicação médica (MACIEL, 2002). A utilização de plantas medicinais, tem inclusive recebido incentivos da própria OMS.

Segundo Veiga et al (2005), no Brasil, a utilização de plantas no tratamento de doenças apresenta influências da cultura indígena, africana e, naturalmente europeia. Estas influências deixaram marcas profundas nas diferentes áreas de nossa cultura, seja sob o aspecto material ou espiritual. Uma das formas que contribuem para o uso e divulgação das virtudes terapêuticas dos vegetais são as observações populares sobre o uso e eficácia dessas plantas medicinais, mantendo em voga a prática do consumo de fitoterápicos, tornando válidas informações terapêuticas que foram acumuladas durante séculos.

Atualmente, grande parte da comercialização de plantas medicinais é feita em farmácias e lojas de produtos naturais, onde preparações vegetais são comercializadas com rotulação industrializada (Veiga et al, 2005). O número total de produtos naturais produzidos por plantas está estimado em torno de 500.000 (DEMAIN, 2000).

Existe uma diferença importante entre fitoterápicos e plantas medicinais. Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária, em sua portaria nº 6 de 31 de janeiro de 1995, fitoterápico é “todo medicamento tecnicamente obtido e elaborado, empregando-se exclusivamente matérias-primas vegetais com finalidade profilática, curativa ou para fins de diagnóstico, com benefício para o usuário”. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos do seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância d sua qualidade. É o produto final, acabado e rotulado (VEIGA et al, 2005). Os fitoterápicos são regulamentados no Brasil como medicamentos convencionais e têm que apresentar critérios similares de qualidade, segurança e eficácia requeridos pela ANVISA para todos os medicamentos (BRASIL, 2010).

A OMS define planta medicinal como sendo “todo e qualquer vegetal que possui, em um ou mais órgãos, substâncias que podem ser utilizadas com fins terapêuticos ou que sejam precursores de fármacos semi-sintéticos”, ou seja, as plantas medicinais são aquelas capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso como remédio em uma população ou comunidade (VEIGA et al,  2005). Os responsáveis pelo efeito terapêutico que a planta medicinal possui são os princípios ativos (MONTANARI, 2002).

O uso de plantas medicinais cada vez mais tem se tornado objeto de políticas públicas, especialmente na área da saúde. Nos últimos anos o Brasil, tem formulado e implementado políticas valorizando e incentivando o investimento nessa área inclusive sobre o aspecto econômico e comercial se tendo um resgate do conhecimento tradicional.

A utilização de métodos fitoterápicos, é de fundamental importância não só no parâmetro social, mas tendo em vista o preencher as necessidades práticas e resgate cultural quase perdido. 

Segundo Buchillet (1991), a ciência terapêutica data de mais remota antiguidade. Desde que começaram a surgir às enfermidades os homens, como é lógico, passaram a combater como melhor podiam, “tendo assim, a natureza com uma infinidade de plantas, virando uma farmácia em que todo homem pode encontrar um balsamo para qualquer espécie de dor”.

Tendo conhecimento disso o trabalho se embasou a responder tais problemáticas: A população local (Gurugi/Conde) está mesmo ciente  das possíveis curas na utilização da fitoterapia? Existe um apoio local para que a comunidade quilombola mantenha o uso de suas práticas ancestrais utilizando as plantas medícinais no processo saúde/doença?

Sendo assim, esse trabalho objetivou avaliar a credibilidade e a aceitabilidade das plantas medicinais no Gurugi, em um bairro periférico da cidade de Conde, Paraíba, Brasil. Além de categorizar os entrevistados segundo sexo e idade, a fim de inferir se estes parâmetros influenciam na tomada de decisão do uso ou não das plantas medicinais; identificar a porcentagem da população que faz uso de plantas medicinais, bem como quais são as plantas comumente usadas e quais são os principais problemas de saúde tratados por esta população, e por fim verificar a aceitação da implantação do fornecimento de fitoterápicos pela Unidade Básica de Saúde local, nos Postos de saúde da Família.

 

METODOLOGIA

 

O estudo foi realizado através da análise de artigos científicos, Legislação Federal e Estadual, além de documentos obtidos na Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado da Paraíba (SUDEMA-PB) e no site do Ministério do Meio Ambiente.

            Procurou-se fundamentar toda e qualquer discussão em um ou mais artigos, visto que alguns temas abordados apresentam pensamentos divergentes na literatura especializada, exigindo assim, um maior aprofundamento em nossa pesquisa fornecendo subsídios teóricos para sua execução, bem como para a Taxonomia das plantas que poderia surgir ao longo das respostas tidas pelos entrevistados.

Buscando verificar a aceitabilidade e o uso corrente desta terapia, foram feitas entrevistas com a população de um bairro de população em uma comunidade quilombola única no Município de Jacumã (Gurugi), Cidade de Conde. Avaliou-se a variação em relação a idade, sexo, os principais problemas de saúde tratados por esta população, bem como a receptividade sobre o fornecimento de medicamentos fitoterápicos pela Unidade Básica de Saúde Loca l(UBS)

 

Local de estudo: Um pouco do histórico de luta da comunidade

 

 

O Assentamento Gurugi II, compreende uma área de aproximadamente 593ha, situado na zona sul do litoral paraibano, no município de Conde-PB. No momento de constituição do assentamento, a atividade econômica dominante na região era a atividade agrícola. Na atualidade, a ênfase econômica começa a deslocar-se para a atividade turística e, por conseguinte, a cultural. Esta realidade por si exige a reflexão das implicações que estas novas atividades impõem a produção e a vida rural, em especial, com destaque à realidade das comunidades rurais de Gurugi. O assentamento fica localizado a aproximadamente 08 (oito) quilômetros da cidade sede do Município de Conde, denominada pelo mesmo nome - Conde. O acesso ao assentamento pode ser realizado pelas rodovias PB 008 que liga a capital do Estado João Pessoa aos municípios da Zona da Mata e Litoral Sul do Estado da Paraíba e pela PB 018, que liga a cidade sede do Município Conde ao principal distrito e praias de Jacumã e demais praias do litoral sul paraibanas(SILVA e LIMA, 2011).

 

 

Figura1. Visão aérea da comunidade, observa-se que a área ocupada encontra-se com melhor estado de vegetação.

 

 

O assentamento Gurugi II contribui com uma representativa parcela de desenvolvimento agrícola regional, fornecendo alimentos tanto ao município do Conde, como para a capital da Paraíba, João Pessoa. Outra importante característica que merece ser destacada é a população que habita o assentamento por ser composta em sua maioria por trabalhadores e trabalhadoras de origem tradicionalmente ligadas as atividades do campo da produção agrícola e da pecuária. Conhecer a história deste assentamento fornecerá elementos que auxiliem a construção do contexto histórico do assentamento, e, consequentemente da formação da sua comunidade, bem como do município (SILVA e LIMA, 2011).

Com relação a formação dos nucleos familiares, o acentamento e composto por  78 familias (dados de 2011) tendo uma media de 6 membros por casa. Com relação as moradias a maioria das casas é de alvenaria composta por salas, quartos, cozinha e banheiro com fossas septicas. Todos são agricultores que ali vivem há algumas gerações e utilizam do solo de forma direta ou iondireta sempre mantendo as tradições de plantio da comunidade.  O processo de ocupação iniciado com a luta pela pose da terra teve início nos anos 80 do século XX.

...segundo dados recolhidos, a história da conquista das terras no Brasil teve inicio bem antes da invasão portuguesa no século XVI, quando aqui chegaram os portugueses, já encontraram aqui duas etnias (tabajara e potiguara), que habitavam o litoral. Embora muitas pessoas falem que eram povos primitivos, estas afirmativas não passam de justificativas invalidas para explicarem o processo de violência que praticamente dizimou aquelas populações. Esses dois povos naquela época, encontrava-se em conflito pelo território e foi dessa situação que os portugueses se aproveitaram, fundando a missão jesuítica... Logo depois, veio a construção da Vila de Conde em homenagem ao Conde Holandês Mauricio de Nassau, ao mesmo tempo em que os europeus traziam para a exploração da madeira e primeiros plantações agrícolas, africanos como mão-de-obra escravizada, uma vez que os nativos, por não aceitarem o trabalho, fugiam com facilidades pelos matos. É com toda dedicatória a nossos nativos imigrados escravizados africanos, que começo a apresentar estes relatos reais e vivência em nossa comunidade. Como a história da Paraíba se agrega a nossa realidade: a colonização, a escravidão e vários acontecimentos envolvendo os povos negros e descendentes dos índios, que aqui já habitavam. Toda e qualquer iniciativa que faça referência a estas etnias fortalecem e instigam as novas gerações a ter orgulho do seu passado. (SILVA e LIMA, 2011).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

 

Muito antes de aparecer qualquer forma de escrita o homem já usava as plantas como alimento e como remédio e, ao longo dos séculos tivemos as alegrias do sucesso e as dores do fracasso nas suas experiências com plantas, que às vezes curavam, às vezes matavam e outras vezes produziam dores, cólicas ou alucinações.

Desde o final da década de 70, a partir da criação do Programa de Medicina Tradicional, a OMS tem incentivado seus Estados-Membros a formularem e programarem políticas públicas nessa área, destacando, a recente “Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional 2002- 2005”. Nos últimos anos, muitas iniciativas foram elaboradas no cenário mundial voltadas para o uso do conhecimento da medicina tradicional para aperfeiçoar e melhorar a saúde pública. Países como a China e Índia passaram a investir fortemente nisso (WHO, 2006).

O histórico de utilização de plantas com fins medicinais no Brasil é enorme, sua importância é sem precedentes principalmente no que se diz respeito nas áreas ligadas as ciências farmacêuticas. Os herbários e boutiques do passado atualmente são apenas lembranças, entretanto as contribuições econômicas e culturais que as utilizações de compostos botânicos trouxeram para o país são inúmeros ampliando as possibilidades nas indústrias brasileiras e ampliando a economia nacional no que se diz respeito a diminuição de injeções monetárias no processo saúde-doença (ZUANAZZI & MAYORGA 2010). Tendo em vista o crescimento de novos medicamentos oriundos da biodiversidade nacional para indústria farmacêutica no segmento de utilização de insumos vegetais.

A utilização de produtos vegetais surge como uma ferramenta de escape para o alavancar o desenvolvimento rural, evidenciando uma alternativa viável para a agricultura tendo em vista a criação de novos empregos e a manutenção de tradições rurais, envolvendo questões como a conservação da biodiversidade e conhecimento popular (GUILHERMINO et al., 2013).

Por essas razões é que trabalhos de difusão e resgate do conhecimento de plantas medicinais vêm-se difundindo cada vez mais, principalmente nas áreas mais carentes. Para a Organização Mundial de Saúde - OMS, saúde é: “Um bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença”. O uso de plantas medicinais como prática alternativa pode contribuir para a saúde dos indivíduos, mas deve ser parte de um sistema integral que torne a pessoa realmente saudável e não simplesmente “sem doença”.

A população em geral confunde a fitoterapia com o uso de plantas medicinais. A fitoterapia é uma ciência que se ocupa do tratamento das doenças através de plantas medicinais, sendo assim um e o objeto e o outro é o estudo.

As ações decorrentes desta política, manifestadas em um Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicas, serão imprescindíveis para a melhoria do acesso da população aos medicamentos, à inclusão social e regional, ao desenvolvimento industrial e tecnológico, além do uso sustentável da biodiversidade brasileira e da valorização, valoração e preservação do conhecimento tradicional associado das comunidades tradicionais e indígenas.

Foram entrevistados 40 moradores da comunidade quilombola. A media de idade era dentre 17 até 89 anos. Com relação ao sexo a maioria dos entrevistados eram homens (24), relatos dos homens mais velhos contam que as mulheres morriam com mais facilidade no século passado devido a mortes em parto e ou doenças como infecção e ou doenças de “febre”( acreditamos que essas “febres” que eles relatam seja algum tipo de infecção, doença viral ou autoimune). A credibilidade nas plantas com objetivos terapêuticos apresenta um decréscimo na população mais jovem dos (40% dos entrevistados tinham idade entre 17 e 27 anos, contra os 60% de pessoa com mais de 27 até 89 anos), fato este provavelmente gerado em função destas pessoas terem vivido o auge dos medicamentos de síntese, bem como, a influência do meio médico-científico ortodoxo, que durante anos, desconsiderava os fitoterápicos, muitas vezes ironizando a utilização destes, tratando-os como placebo. Esta população mais jovem, sem dúvida, se beneficiou da evolução extraordinária dos medicamentos de síntese, perdendo parte da cultura sobre plantas medicinais, passada de geração a geração.

Com base na pesquisa evidenciou-se 22 espécies com maior relevância na utilização, dentre elas destacando-se a babosa, barbatimão, folha do caju e broto da goiabeira. Portanto vê-se que grande parte das plantas nativas brasileiras ainda não têm estudos para permitir a elaboração de monografias completas bem como o entendimento de toda a sua função como fármaco. Muitas espécies são usadas empiricamente, sem respaldo científico quanto à eficácia e segurança, o que demonstra que em um país como o Brasil, com enorme biodiversidade, existe uma grande lacuna entre a oferta de plantas e as poucas pesquisas científicas. 

Os dados se repetem quando é questionado o uso frequente das plantas medicinais pela população. Há um evidente decréscimo do uso desta terapia nas populações mais jovens, notando-se novamente a influencia cultural com relação à farmacoterapia. Quanto a crença nos efeitos terapêuticos da flora medicinal em relação ao sexo, houve discreto predomínio entre a população masculina (100%) em relação à feminina (96%), (A media de idade das mulheres e mais jovem utilizando mais fármacos alopáticos) entretanto a eficiência contestada pelos pais das mesmas e ou de familiares endossam a importância da utilização das plantas medicinais.

 

 

ESPÉCIES USADAS PELOS MORADORES

 

NOME POPULAR

PARTES UTILIZADAS NA TERAPÊUTICA

OUTROS FINS MEDICINAIS

Aloe spp

Babosa

Folhas

Queimaduras, antimicrobiana, anti-inflamatória, e hiperglicemia

Psidium guajava

Goiaba

 

Folhas e frutos

Antidiarreica, hipoglicemiante, antioxidante e antiagregante plaquetária

Stryphnodendron adstringens

Barbatimão

 

Casca de árvore

Tratamentos de queimaduras e escoriações cutâneas, cicatrizante, anti-inflamatório.

Passiflora edulis

Maracuja

Chá das folhas  e frutos

Ação sedativa, calmante e antidepressivo.

Eucalyptus globulus

Eucalipito

Folhas e cascas

Combate a gripes e resfriados.

Anacardium occidentale

Caju

Folhas e frutos

Atividade antimicrobiana e potencial melhorador digestivo

Eugenia uniflora

 

Pitanga

 

Chá das folhas

 Calmante, anti-inflamatória e para aliviar bronquites 

Schinus terebinthifolius

Aroeira

 

Folhas, frutos e casca de árvore

Distúrbios respiratórios, candidíases e outras infecções vulvovaginais.

Mentha spp

Menta ou hortelã

Folhas e óleos

Espasmolítico, antiflatulento, digestivo e analgésico.

Lavandula spp

Colônia ou alfazema

 

Chá das folhas

Conjuntivite e as flores funcionam contra tosse, bronquite, queimaduras e enxaqueca

Nasturtium officinalis

Agrião

 

Folhas

Diurético, anti-inflamatório, ajuda melhorar a digestão e tratar a tosse

Urtica dioica

Urtiga

Raiz

Melhoramento prostatico.

Zingiber officinale

Gengibre

Rizoma

Antiemético, antidispéptico, e nos casos de cinetose

Morus nigra

Amora

 

Arvore em geral

Analgésico, antibacteriano, antipirético, antiinflamatório, antihelminticos, diurético, expectorante e dilatador bronquial e regulador hormonal feminino.

Hancornia speciosa

Mangabeira

Latex da árvore

Antimicrobiano, tratamento de ulceras e gastrites

Phyllanthus niruri

Quebra pedra

Chá das folhas

Cálculos renais e infecções urinárias

Allium sativum

Alho

Bulbo

Sugerem um pontencial anticancerígeno, desde que consumido sempre cru, vermifugo.

Plectranthus barbatus

Boldo

Chá da folha

Problemas digestivos, azia e indigestão. Anti-inflamatório inibindo a síntese de prostaglandinas.

Matricaria chamomilla

Camomila

Chá da flores

Ansiedade, insônia, digestivo, facilita a eliminação de gases e estimula o apetite. 

Cinnamomum verum

Canela

Chá da casca

Contra gases e má digestão

Cymbopogon citratus

Capim limão

Chá ou suco das folhas

Expulsar gases, além de ser ligeiramente analgésico e anti-reumático

Melissa officinalis

Cidreira

Chá da folha

Analgésico e antiespasmódico, além de funcionar topicamente (em extrato) contra herpes labial

 

 

Quadro 1 – Relação das espécies, nomes populares, parte da planta utilizada e ações das plantas mecidinais estudadas.

 

Os problemas de saúde mais frequentemente tratados através de plantas medicinais são os de atenção primária a saúde, sendo os males intestinais curados com mais frequência. A aceitabilidade pelos moradores da implantação do fornecimento de medicamentos fitoterápicos pela UBS local é extremamente favorável, opinando a amostra populacional por ótimo 72% e bom 27%, para este questionamento.

A sociedade pode, e deve, se organizar para transformar os impulsos no aumento econômico, geralmente desencadeados por forças externas à região, em desenvolvimento, ou seja, em melhores níveis de qualidade de vida para todos possibilitando a retomada as tradicionalidades e aos conhecimentos empíricos surgem como chave para solucionar diversos problemas ambientais (OLIVEIRA et. al., 2010).

Nessa perspectiva o conhecimento popular e as tradições passadas nas gerações são muitas vezes o único recurso médico em determinadas comunidades ou grupos étnicos. Essa observação popular em conjunto com a prática vem mantendo viva a cultura local na utilização de insumos vegetais como uma estratégia na melhoria da saúde. Essas práticas em conjunto com estudos etinobotânicos garantem as informações terapêuticas que foram sendo acumuladas durante séculos (MACIEL et al., 2002). Tomando força e sendo cada vez mais objetos de políticas públicas, especialmente na área da saúde e políticas valorizando e incentivando do conhecimento empírico das comunidades.

A aplicação de métodos fitoterápicos, é de fundamental importância não só no parâmetro social, mas também o preencher as necessidades práticas e resgate cultural quase perdido. A modernidade vem sendo tida como um dos pilares para a devastação da cultura tradicional, já que a mesma é estruturalmente incapaz de incorporar todas as modernizações, entretanto, vendo de outra forma a cultura moderna tende a ser vendida desvalorizando as normas tradicionais.

Seguindo essa perspectiva Gonçalves (2006) comenta sobre a cultura e sua ótica perante outros povos:

Toda cultura observada de fora ou sob ótica de outros valores aparecem como irracional. Em suma, toda e qualquer cultura é um sem sentido que se faz sentido para as pessoas que nelas vivem. Nenhuma cultura é, assim, racional, ao mesmo tempo que todas o são do ponto de vista dos seus próprios valores (p. 96).

Ainda com foco na ideia de reinserção do natural e do empoderamento da natureza e do poder que a sociedade tem de seguir uma intenção sustentável diminuindo ou pelo menos desacelerando a máquina do capitalismo, as lutas sociais vem dando mais força a esse processo de apaziguar as relações de cada comunidade com sua cultura, saberes, manifestações, tradições e relações específicas entre as pessoas (GONÇALVES, 2006).

As identidades e valores culturais são a base de toda sociedade, com elas entendemos mais sobre sua biodiversidade, resiliência, complexidade além de servir como base para novas descobertas científicas, descobertas essas que surgem com validação partir de um conhecimento popular, cotidiano cheio de virtudes e contendo um valor ainda maior devido a ligação as tradicionalidades.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Nas grandes cidades, apesar de muito deste patrimônio cultural se ir desvanecendo, assistimos na atualidade a um regresso às origens, em busca daquilo que a terra nos dá. Prova disso é que não haverá casa portuguesa sem o cantinho das ervas: a erva-cidreira para as perturbações gástricas, a tília para febres e doenças hepáticas, a camomila para a gripe, entre muitas outras que cada um escolhe.

Evidencia-se que realmente a população estudada acredita nos efeitos terapêuticos das plantas medicinais e que a imensa maioria ainda faz uso desta flora como recurso de tratamento de suas patologias. Apesar dos anos de descrédito desta terapia pela comunidade científica, com reflexos sobre a cultura da população, mantém-se uma forte aceitação do uso da flora medicinal, principalmente fora dos grandes centros urbanos e populações mais carentes de recursos financeiros.

Ainda que não haja dados estatísticos sobre o número de pessoas que recorrem à medicina natural, uma vez que se trata de autoconsumo e não são necessárias receitas médicas para este gênero de terapia, pensa-se que a naturopatia está em crescendo. São cada vez mais os adeptos da medicina verde. Em suma, quando o objetivo é acalmar a alma, fortalecer o corpo e aliviar a dor, ninguém se importa de onde vem o remédio, desde que se revele eficaz.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

BUCHILLET, D. (Org). Medicinas tradicionais e medicinais ocidental na Amazônia. Belém. Museu Paraense E. Goeldi/GEJUP/UEP. 1991. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?pid=S0101-59072006000200004&script=sci_arttext

GONÇALVES, C. W. P., Os (des)caminhos do meio ambiente. São Paulo: Contexto, 2006.

GUILHERMINO, J. de F. et al., Desafios e complexidade para inovação a partir da biodiversidade brasileira. Revista de Pesquisa e Inovação Farmacêutica, v. 4, n. 1, 2013.  Disponível em: http://www.academia.edu/28749890/Desafios_e_Complexidade_Para_Inova%C3%A7%C3%A3o_a_Partir_Da_Biodiversidade_Brasileira

MACIEL, M. A. M. et al. Plantas medicinais: a necessidade de estudos multidisciplinares. Química Nova, v. 25, n. 3, p. 429-438, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422002000300016

OLIVEIRA, S. S. et. al . Bioatividade do extrato hexânico bruto de Annona crassiflora no controle do vetor da dengue Aedes aegypti l. (diptera: culicidae). In: Congresso de Iniciação Científica, 3, Cáceres. Anais. Cáceres: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação v.6, CD-ROM., 2010

SILVA, A. R. DA, LIMA, E. P. A memória do assentamento gurugi ii, no município do conde-pb. IN: I Encontro de pesquisas e práticas em educação do campo da Paraíba. UFPB, João Pessoa. 2011.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Public health. Innovation and Intellectual Property Rights. Report of the Commission on Intellectual Property Rights, Innovation and Public Health. Genebra: WHO, 2006e 1998. Disponível em: http://www.who.int/en/

ZUANAZZI, J. A. S.; MAYORGA, P., Fitoprodutos e desenvolvimento econômico. Química Nova, v. 33, n. 6, p. 1421-1428, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422010000600037

 



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