ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Contribuições de Convidados/as     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Soluções e Inovações     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Artigos

16/09/2018CENTRO DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA SILVESTRE DE ILHA SOLTEIRA/SP (CCFS): UM RESGATE HISTÓRICO  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3328 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

CENTRO DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA SILVESTRE DE ILHA SOLTEIRA/SP (CCFS): UM RESGATE HISTÓRICO

Gabriela de Souza Peres Carvalho1, Elizete Aparecida Checon de Freitas Lima2, Lucio de Oliveira e Sousa3, Vanessa Veronese Ortunho4, Narah Vieira Peres5, Gaby Soares de Freitas6, Julia Medeiros Mercado7

1Graduanda em Zootecnia, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de Ilha Solteira, email: gspczootecnista@gmail.com

2Departamento de Biologia e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de Ilha Solteira

3Centro de Conservação da Fauna Silvestre de Ilha Solteira, Médico Veterinário

4Departamento de Biologia e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de Ilha Solteira

5Mestranda em Ciência e Tecnologia Animal, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de Ilha Solteira

6Mestranda em Ciência e Tecnologia Animal, Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de Ilha Solteira

7Aprimoranda no Programa de Aprimoramento Profissional, Fundação Parque Zoológico de São Paulo



Resumo: O Centro de Conservação da Fauna Silvestre (CCFS) de Ilha Solteira/SP, criado pela CESP em 1979, inicialmente recebeu animais que tiveram seus habitats perdidos, ou afetados pelas inundações causadas por empreendimentos hidrelétricos. Atualmente, recebe animais apreendidos em decorrência de tráfico da fauna silvestre e de maus tratos, além de vítimas de atropelamentos. O objetivo do presente trabalho foi realizar um resgate histórico CCFS, de modo a permitir que as próximas gerações conheçam seu histórico e entendam sua importância, especialmente considerando a conservação da biodiversidade e a educação ambiental. Os dados foram coletados do arquivo morto e do acervo digital do CCFS, abrangendo o período desde sua abertura até 2016. Os resultados indicaram que o CCFS teve uma atuação expressiva na conservação de espécies da fauna nativa, mantendo intercâmbio com outras instituições no Brasil e em outros países. Muitos projetos de pesquisa foram desenvolvidos no CCFS, alguns deles em parceria com outras instituições. A atuação do CCFS como um espaço não formal de educação ambiental foi significativa, com o atendimento de 33.541 estudantes no período investigado. Além disso, mais de 400.000 pessoas visitaram o CCFS, desde sua criação, o que demonstra seu papel como importante espaço de lazer ao ar livre para a população de Ilha Solteira.

Palavras-chave: conservação da biodiversidade, educação ambiental, fauna silvestre.



Abstract: The Wildlife Conservation Center (CCFS) of Ilha Solteira/SP, created by CESP in 1979, initially received animals that had their habitats lost or affected by floods caused by hydroelectric projects. Currently, it receives animals seized as a result of trafficking in wildlife and maltreatment, as well as victims of road killings. The objective of the present work was to carry out a historical rescue of CCFS, in order to allow the next generations to know their history and understand its importance, especially considering biodiversity conservation and environmental education. The data were collected from the CCFS digital archives, covering the period from its opening until 2016. The results indicated that the CCFS had a significant role in the conservation of species of native fauna, maintaining interchange with other institutions in Brazil and in other countries. Many research projects were developed in CCSF; some of them in partnership with other institutions. The performance of the CCFS as a non-formal space for environmental education was significant, with the attendance of 33541 students in the period investigated. In addition, more than 400,000 people have visited the CCFS since its opening, which demonstrates its role as an important outdoor leisure space for the population of Ilha Solteira.

Key-words: biodiversity conservation, environmental education, wildlife.



Introdução

Os Zoológicos operam num mundo de crescentes ameaças ambientais e de redução da biodiversidade. Nos últimos dez anos, as alterações climáticas, a sobre exploração dos recursos naturais, o aumento do impacto negativo por parte de espécies invasoras e a degradação global do ambiente têm continuado. O valor e a vulnerabilidade das espécies e dos ecossistemas e a sua influência nos seres humanos tem sido pouco refletido, além disso a percepção do público tem estado focada em conflitos, secas, fome e migrações, em vez das causas de base ligadas à utilização dos recursos naturais (WAZA, 2005).

Zoológicos, aquários e jardins botânicos podem operar no espectro total das atividades de conservação da biodiversidade, desde a reprodução ex situ de espécies ameaçadas, à investigação, educação e formação do público, além de também exercerem influência e advogar o apoio à conservação in situ. Esses espaços têm um “público-cativo” vasto e único, cujo conhecimento, compreensão, atitude, comportamento e envolvimento podem ser positivamente influenciados e mantidos. Dispõem de enormes recursos em termos de capacidades técnicas e de profissionais dedicados, porém não é só questão de salvar espécies e habitats, mas para que esses espaços sejam bem sucedidos necessitam também de cooperação e de uma abordagem global. A especialidade em coleções de animais vivos de todo o mundo, com uma rede de trabalho global, pode desempenhar um papel fundamental na promoção da cooperação para a conservação da biodiversidade numa escala global (WAZA, 2005).

A cidade de Ilha Solteira teve sua origem em 1968 como um núcleo habitacional, planejado para receber os trabalhadores que atuariam na construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Ilha Solteira, iniciada em 1965. Em 1979, a CESP (Companhia Energética de São Paulo), responsável na época pelo empreendimento, criou o Parque Zoológico de Ilha Solteira/SP. Em 1981, o presidente do extinto IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal concedeu o registro de estabelecimento de Criação de Animais Nativos, com finalidade cultural e científica.

Nomeado de Centro de Conservação da Fauna Silvestre de Ilha Solteira/SP pela CESP, inicialmente reabrigou os animais que tiveram seus habitats perdidos, ou afetados pelas inundações causadas por seus empreendimentos.

Atualmente, recebe animais provenientes do tráfico através do Corpo de Bombeiros e da Polícia Ambiental, e vítimas de atropelamentos e maus tratos. Também realiza trabalhos de educação ambiental através de visita monitorada, também oferecendo visitas abertas ao parque nos finais de semana.

Segundo a Companhia Energética de São Paulo (2017), o CCFS ocupa uma área de aproximadamente 18 hectares, coberta por remanescente das fisionomias Floresta Estacional Semidecidual (Mata de Planalto) e Savana Arbórea (Cerradão). As instalações compreendem uma área aberta à visitação pública com 34 recintos de tamanhos e características diversas, totalizando 17.136,55m². Há um Centro de Recepção e Triagem dos animais (CRT), com 22 recintos de tamanhos diversos (com 391,26 m²), onde os animais em tratamento veterinário, quarentena ou aguardando destinação são abrigados.

Ainda possui edificações de apoio, como escritórios, sala de preparação de alimentos, biotério, ambulatório veterinário, sala de cirurgia, sala de necropsia, quiosque para lanche e recepção dos visitantes, guarita de entrada de serviços, sanitários e guarita de entrada de visitantes.

O CCFS é filiado a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), além de participar dos (PANS) Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção: Onça Pintada (Panthera onca), Cervídeos, Lobo Guará (Crysocyon brachyurus) e Onça Parda (Puma concolor), sob coordenação do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

Também fornece dados para Studbooks realizados pela AZA (Association of Zoos e Aquariums), que documentam o pedigree e histórico demográfico de cada animal dentro de uma população administrada entre as instituições associadas. O CCFS coopera com dados do Mutum de Penacho (Crax fasciolata), Tamanduá Bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Bugio (Alouatta caraya) e Lobo Guará (Crysocyon brachyurus) e no início do Cachorro Vinagre (Speothos venaticus). Essa parceria de cunho internacional entre Zoológicos, deixam um legado para as próximas gerações, referências que podem ser utilizadas para auxiliar as espécies ao longo do tempo. Esses contatos são importantes para a conservação a nível mundial, instituições cooperando e trabalhando em prol do mesmo objetivo.

Segundo Auricchio (1999), o zoológico também surge como um local de disseminação de informações sobre a fauna. A aprendizagem sobre a diversidade da vida animal pode ser significativa mediante oportunidades de contato com uma variedade de espécies observadas e conhecidas, ou seja, quanto mais contato com aquilo que se deseja proteger, maior a empatia, maior a sensibilização e, assim, aumentam-se as chances de obter sucesso com a conscientização ambiental.

O objetivo do presente trabalho foi realizar um resgate histórico do CCFS, de modo que sirva para as próximas gerações conhecerem e entenderem sua importância, especialmente considerando a conservação da biodiversidade e a educação ambiental.



Metodologia

Foram coletados os dados do arquivo morto e do acervo digital da recepção do Centro de Conservação da Fauna Silvestre de Ilha Solteira, abrangendo o período de sua abertura em 1979 até 2016.

A coleta dos dados no arquivo morto foi feita por meio de fotografias dos Relatórios Anuais de Atividades Desenvolvidas, separadas em pastas de acordo com o ano de cada relatório. O acervo digital também foi separado utilizando a metodologia já citada.

Os dados foram agrupados em tabelas de acordo com o ano e informação (Exemplo: Entrada e saída de animais, taxa de natalidade, taxa de mortalidade, animais provenientes de apreensão/resgate, entre outras) utilizando o Excel 2010, depois organizados em gráficos para facilitar a visualização.



Resultados e Discussão

Para facilitar a compreensão e visualização dos números, os dados foram agrupados da seguinte maneira: 1. Educação ambiental, 2. Entrada e saída de animais e 3. Conservação e Pesquisas.



  1. Educação ambiental



  1. Visita aberta: onde o parque fica aberto aos finais de semana para que a população visite os animais. Há placas educativas no caminho da visita que auxiliam na conscientização do visitante.

  2. Visita técnica: é uma oportunidade para alunos de graduação de toda a região (onde situam-se uma universidade pública e faculdades privadas com cursos de Agronomia, Ciências Biológicas, Medicina Veterinária e Zootecnia). Esta modalidade contempla ao estagiário 120 horas de experiência, onde pode executar atividades de limpeza dos recintos, prática de preparo de alimentação dos animais do plantel, distribuição das refeições, atividades de manejo para reprodução e manutenção dos animais vivos e acompanhar os procedimentos de contenção física e métodos veterinários, trabalho de coleta de material biológico, alunos durante visita monitorada e atividades de EA. Além de conhecer sobre equipamentos gerais utilizados em manejo de animais, produtos anestésicos para contenção química de animais e mecanismos e funcionamento da zarabatana (utilizada para contenção química de animais de grande porte).

Figura 1 – Autora durante Visita técnica no ano de 2014, auxiliando em atividades de EA, onde criança com necessidades especiais pode ver a diferença de temperatura do metabolismo de mamíferos e répteis através do corpo.